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Papa prefacia “Diário” sobre a quarentena em bairro de lata de Buenos Aires

«Far-nos-á bem ler este diário, que narra dia após dia a “Cuarentena” vivida numa das “villas miseria", os bairros de lata onde trabalha um grupo de sacerdotes a quem desejo muito bem. São movidos por uma fé genuína em Jesus Cristo e por um grande amor por esta pobre gente que vive em casebres e barracas às margens da sociedade.»

Estas são algumas das palavras que o papa escreve no prefácio ao livro “Quarentena-Cuarentena. Diário da ‘peste’ num bairro de lata argentino”, do jornalista italiano Alver Metalli , testemunho direto da vida durante o confinamento causado pela pandemia do coronavírus na Argentina mais pobre.

«O “Diário” não narra só as histórias dramáticas de tantas mulheres e homens da “villa”, entre droga, violência e miséria. Faz-nos ver também a humanidade bela de tanta gente que, em torno à paróquia, se prodigaliza todos os dias para ajudar quem é mais carenciado de ajuda», assinala Francisco.

As “villas miséria” da periferia da capital argentina são lugares que Bergoglio conhece bem porque se deslocava até eles quando era arcebispo de Buenos Aires, para celebrar missa, falar com os habitantes e encorajar os párocos.

A «cozinha popular», escreve o papa, «não é a única obra de caridade que praticam nas “villas”. Há uma instituição para os alcoolizados e um “Hogar de Cristo” para quem caiu nas garras da droga. Depois há os “velhotes”, que se tenta proteger de um vírus cruel que, em todo o mundo, massacrou entre as pessoas mais idosas e frágeis».

«É precisamente ao sustento desta casa para os idosos que o autor do “ebook” decidiu destinar os proventos da publicação. Mais um motivo para ler e difundir este “Diário” que nos mostra o rosto aliciante e concreto de uma “Igreja pobre e para os pobres”», sublinha Francisco.

O livro faz ver aos leitores como, «através do dom do testemunho, não há região, por muito obscura que seja, onde um raio do bom Deus não chegue para aquecer alguns corações e iluminar existências que de outra maneira seriam invisíveis».

A imagem de Deus, a que o papa recorre, que, como o sol, chega, ilumina e transforma a mais densa obscuridade humana, foi inspirada no compositor e cantor italiano Fabrizio De André (1940-1999), que deu voz a histórias de marginalização, nomeadamente a vida nos chamados submundos, as dificuldade e dores dos pobres, mas também de pecadores, prostitutas e burgueses.

Publicado pelas Edizioni San Paolo (Itália), este livro eletrónico, redigido em italiano e espanhol, é vendido a 6,99 €.


 

Rui Jorge Martins
Fonte: Famiglia Cristiana
Imagem: D.R.
Publicado em 26.05.2020

 

 

 
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