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Papa reza pelas famílias: Para que comuniquem, vençam a angústia, sejam criativas, vivam o amor

«Hoje gostaria de recordar as famílias que não podem sair de casa. Talvez o único horizonte que têm é da varanda», afirmou hoje o papa, na introdução à missa a que presidiu, esta manhã, na casa de Santa Marta, na qual apontou as atitudes que, na oração, chegam ao coração de Deus: nudez, humildade, abaixamento.

«E ali, dentro da família, com as crianças, os jovens, os pais, para que saibam encontrar a maneira de comunicar-se bem, de construir relações de amor na família, e saibam vencer juntos, em família, as angústias deste tempo», prosseguiu.

A intenção da Eucaristia que celebrou compreendeu uma última prece: «Peçamos pela paz das famílias, hoje, nesta crise, e pela criatividade».

Na homilia, Francisco meditou na leitura do Evangelho proclamada nas missas deste sábado (Lucas 18,9-14), na qual Jesus propõe a parábola de um fariseu e de um publicano que rezam no templo: o primeiro enaltece-se por não ser pecador e cumprir os preceitos da lei, o segundo apresenta-se a Deus com o coração contrito devido às suas faltas.



A parábola de hoje ensina «como aproximar-se» de Jesus: «Com humildade», «com a alma nua, sem disfarces, sem travestir-se das virtudes próprias»



Jesus conclui a narração dizendo: «Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».

«Um dos homens vai rezar para dizer que é um corajoso, como se dissesse a Deus: “Vê como sou corajoso, se precisares de alguma coisa, diz-me, que eu resolvo o teu problema”. Presunção», observou o papa.

A atitude do fariseu recorda o irmão mais velho da parábola do filho pródigo, que também se considerava corajoso, e que lamentava o facto de o pai nunca lhe ter oferecido uma festa, ao contrário do «desgraçado» do irmão, assim como a narrativa do rico que se banqueteava todos os dias sem se importar com a miséria de Lázaro, estendido à porta do seu palácio, prosseguiu.

Trata-se de personagens que ostentam a «segurança em si próprios, com o dinheiro, o poder», em contraposição com o publicano, que, batendo com a mão no peito, não se chega ao altar, fica à distância, comportamentos que, igualmente, lembram os do filho pródigo, ambos tendo bem presente os pecados cometidos, assim como o do mendigo Lázaro.



«O caminho é o abaixamento», o ser-se capaz de entender a «realidade», que se sintetiza nesta certeza: «Tu és Deus, eu sou pecador; mas digo que sou pecador não da boca para fora, mas do coração»



A parábola de hoje ensina «como aproximar-se» de Jesus: «Com humildade», «com a alma nua, sem disfarces, sem travestir-se das virtudes próprias», acentuou Francisco, para quem Deus «perdoa todos os pecados», mas precisa que cada pessoa «lhos faça ver», com o «coração nu», e não com a presunção cheia de si de quem exalta os seus méritos.

«Rezar Tu e eu, cara a cara, de alma nua. É isto que o Senhor te ensina»; «quando nos dirigimos ao Senhor algo seguros de nós próprios, cairemos na presunção», «teremos a segurança noutro lado» que não Deus, afirmou.

Por isso, «o caminho é o abaixamento», o ser-se capaz de entender a «realidade», que se sintetiza nesta certeza: «Tu és Deus, eu sou pecador; mas digo que sou pecador não da boca para fora, mas do coração».

A justificação diante de Deus «é soberba, é orgulho, é exaltar-se a si próprio, é travestir-se» daquilo que não se é, e por isso «as misérias continuam dentro» da pessoa.

«Quando começamos a oração com as nossas justificações, com as nossas seguranças, não será oração, será falar com o espelho; ao contrário, quando começamos a oração com a verdadeira realidade – sou pecador, sou pecadora –, é um bom passo em frente para deixar-se olhar pelo Senhor. Que Jesus nos ensine isto», concluiu Francisco.














 

Rui Jorge Martins
Fonte: Vatican News
Imagem: yarruta/Bigstock.com
Publicado em 21.03.2020

 

 
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