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Quaresma de travessia

Atravessamos o deserto.
Somos chamados a despojar-nos de tudo,
A caminhar na confiança,
Confiança tanta que chegará ao abandono,
Abandono de tantas coisas,
Abandono em Deus.

Deixando coisas, preocupações, trabalhos, viagens,
Objetivos a cumprir,
Ficamos só nós, nós e o infinito,
Nós e a transcendência de nós mesmos.
Sendo eu, só,
Descubro o lugar onde Deus fala mais fundo: eu mesmo.

E confronto-me com meus medos, possibilidades,
sonhos e fragilidades, limites e desejos,
com os outros, a Criação e Deus.
No desprendimento e no desapego
Cresço na consciência da justa estima de mim e de cada pessoa,
A bondade presente na raiz de cada ser humano,
Fundamento da dignidade, da igualdade, da solidariedade,
Caminho para o essencial.

E coloco os pés nos passos de Jesus
Desprendido, pobre e solidário.
Assumo a comunhão da vida
E sofro com a Criação que sofre: ato de amor
E morro com a Criação que morre: ato de amor
E vivo com a Criação que vive: ato de amor
E dou a vida para que vivas a tua vida: ato de amor
E vivo, neste ato de amor, a vida viva: Jesus Cristo.

Confiança, despojamento, entrega, abandono no amor,
A porta se estreita e, na passagem,
Tudo se torna novo, em nós e para além de nós,
Humanidade recriada.
A vida vive.

Quaresma de travessia:
Deixar seguranças, deixar egoísmos,
Deixar tantos apegos, deixar manias,
Deixar ídolos...
O mais difícil é deixar pessoas que amamos.
E também a elas entregamos ao mistério do Amor,
Mergulhamos na fonte do Amor, Jesus Cristo,
Abandonamos no ser de Deus,
Coração em transcendência,
Ser em transcendência,
É travessia, estamos em travessia,
Em processo de transcendência.

Deus é de carne,
Humanidade fragilizada,
Posta à prova,
Doente e morrendo em multidões.

Aprendemos o desapego para fazer a passagem.
A luz da terra prometida não se apaga.
Não deixes apagar a luz, confia!
Abandona-te! E caminha! Livre.
Tu, a Humanidade e Deus.
Deus é de carne.


 

P. José Luís Coelho, CSh
Imagem: Andrea Willmore/Bigstock.com
Publicado em 29.03.2020

 

 
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