Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura
Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura - Logótipo
secretariado nacional da
pastoral da cultura

Que é o homem, para dele te lembrares? (Salmo 8,5)

A par do 60º aniversário da constituição conciliar Gaudium et spes, a Comissão Teológica Internacional publicou recentemente o documento Quo vadis, humanitas? (1), procurando oferecer uma actualização da proposta antropológica do Concílio Vaticano II para o contexto cultural actual. O texto faz uma ampla reflexão teológica sobre a identidade do ser humano e a sua vocação no contexto das profundas transformações culturais e tecnológicas do nosso tempo. O seu conteúdo aborda os desafios colocados pela revolução tecnológica, especial-mente o desenvolvimento da inteligência artificial, e propõe uma reflexão sobre a antropologia cristã capaz de dialogar com as novas correntes culturais e filosóficas. Um dos eixos do documento é a constatação de que a tecnologia digital já não constitui apenas uma ferramenta, mas um novo ambiente de vida que transforma as relações humanas, a comunicação, a cultura e a política. Nesse contexto, entre outras matérias, o texto sublinha que o futuro da humanidade não pode ser reduzido aos avanços técnicos. A identidade humana configura-se no âmbito das relações pessoais, do pertencer a uma comunidade, da memória histórica e da abertura à transcendência, dimensões que constituem o núcleo da vocação humana segundo a visão cristã.

Javier Prades, presbítero da diocese de Madrid, presidiu à subcomissão da Comissão Teológica Internacional encarregada da elaboração do documento. Numa entrevista (2) explicou que o texto pretende oferecer um discernimento crítico sobre as novas interpretações do humano que surgem no contexto da revolução tecnológica. A par desse discernimento crítico, o documento propõe também uma reflexão positiva sobre a visão cristã do ser humano. Nessa perspectiva, um dos conceitos centrais é o da vocação humana integral, inspirado no ensinamento do Concílio Vaticano II. «A identidade humana compreende-se à luz de uma vocação, de um chamamento que coloca em jogo a responsabilidade e o protagonismo tanto na vida pessoal como na vida social», explica Prades. Por isso, sublinha uma das intuições fundamentais do documento: «a vida humana e a identidade de cada um e dos povos é um dom de Deus. Recebe-se, não se fabrica». Este dom, acrescenta, torna o ser humano corresponsável pelo bem comum e pelo destino da humanidade.

«Que é o homem, para dele te lembrares?» tema do 28º Observatório da Cultura, insere-se na esteira das grandes preocupações actuais relativas à pessoa e à paz, pelo que iniciamos com uma reflexão sobre a subtileza do imperfeito e da quietude onde somos convidados a que «Deus nos conserte e valorize as nossas fragilidades». Seguem-se textos proferidos na 19ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura e na atribuição do Prémio de Cultura Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes a Maria Leonor Beleza. Na rubrica «Na Literatura» inserimos dois poemas de Rainer Maria Rilke alusivos à Vida de Maria, Rainha da Paz e mãe do Príncipe da Paz, o Ressuscitado. Finalmente, surge a rubrica «Aconteceu / Vai acontecer» com notícias da actividade do SNPC.


(1) Quo vadis, humanitas? Reflexão sobre a antropologia cristã perante alguns cenários sobre o futuro do ser humano (2026).
<(2) "La vida humana se recibe, no se fabrica": Javier Prades, presidente de la subcomisión de la CTI que ha elaborado el documento "Quo vadis, humanitas?" - UESD.


 

Isabel Maria Alçada Cardoso
Diretora do SNPC
Este texto foi publicado no "Observatório da Cultura" n. 28 (abril 2026)
Imagem: NASA/Reid Wiseman
Publicado em 12.04.2026

 

 
Relacionados
Destaque
Pastoral da Cultura
Igreja e Cultura
Vemos, ouvimos e lemos
Perspetivas
Impressão digital
Paisagens
Prémio Árvore da Vida
Vídeos