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Santa Sé na Bienal de Veneza sem olhar às crenças religiosas dos artistas: Igreja deve reconstruir diálogo entre fé e arte

O objetivo da presença da Igreja Católica na Bienal de Veneza é reconstruir o «diálogo interrompido» após o «divórcio, nem sempre consensual, que se consumou entre arte e fé, sobretudo no último século», considera o presidente do Pontifício Conselho para a Cultura.

A declaração do cardeal Gianfranco Ravasi foi proferida esta terça-feira no Vaticano, durante a conferência de imprensa relativa à participação da Santa Sé na 55.ª edição de um dos mais importantes eventos de criação artística contemporânea a nível mundial.

O pavilhão do Vaticano, sobre o tema "No Princípio", custou 750 mil euros, dos quais 300 mil foram financiados pela Bienal e os restantes oferecidos por patrocinadores, entre os quais a petrolífera Eni e o grupo financeiro Intesa Sanpaolo.

O espaço vai ser dividido em três secções que, como o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura apontou em julho de 2012, serão unidas pela narrativa do Génesis, o primeiro livro da Bíblia.

A primeira parte, dedicada à "Criação", foi confiada ao coletivo milanês Studio Azzurro, fundado em 1982, que apresentará um vídeo interativo que inclui imagens de surdos-mudos e mulheres reclusas que contam as suas histórias familiares.

Paolo Rosa, um dos fundadores, afirmou que o grupo ficou preocupado com a possibilidade de o Vaticano determinar o que devia ser produzido mas salientou que não houve qualquer tipo de interferência.

A segunda secção, "De-criação", que segundo Ravasi «aborda a decisão do ser humano de se contrapor ao projeto original de Deus através de formas de destruição ética e material», está sob a responsabilidade do checo Josef Koudelka.

O fotógrafo vai apresentar 18 fotografias de grande formato a preto e branco, opção pela qual é conhecido.

A terceira secção, "Nova Humanidade ou Re-Criação", sobre a «viagem», a «busca» e a «esperança», motivos que dão «sentido e vitalidade ao ser e ao existir», é concebida pelo pintor Lawrence Carroll, ligado ao movimento da "Arte Povera".

O artista nascido na Austrália de pais irlandeses e que vive entre os EUA e a Europa mostra cinco obras abstratas multimédia.

À entrada do pavilhão será colocado um tríptico do italiano Tano Festa (1938-1988) inspirado na obra de Miguel Ângelo na Capela Sistina, em homenagem à tradição artística do Vaticano.

A fé dos artistas escolhidos por uma comissão dirigida por Gianfranco Ravasi e Micol Forti, diretora do departamento de Arte Contemporânea dos Museus do Vaticano, terá sido um aspeto secundário na seleção: «Não me fizeram perguntas sobre as minhas crenças religiosas», disse Lawrence Carroll.

«Queremos tentar um diálogo autêntico, entre a componente religiosa e, da outra parte, com uma arte que tem uma nova gramática expressiva», disse Gianfranco Ravasi, acrescentando que a arte e a fé são, desde há muito, «irmãs» no «caminho da cultura».

Depois da separação entre a Igreja e a arte contemporânea, os artistas adotaram frequentemente a via da provocação em relação à fé, que para Ravasi chegou a ser blasfema, como já aconteceu com peças expostas na Bienal de Veneza.

O diretor da Bienal de Veneza, Paolo Baratta, disse que não estava à espera de controvérsias com as obras apresentadas este ano, embora não pudesse antever a reação de «um padre ou um cardeal» diante de uma escultura ou pintura.

A participação entre os mais de 70 pavilhões nacionais constitui para a Igreja «um ponto de partida, uma «rodagem», um «início de percurso» que proporcione «uma atmosfera de encontro entre arte e fé», assinalou Gianfranco Ravasi.

O pavilhão da Santa Sé é inaugurado a 31 de maio e fica aberto até 24 de novembro.

 

Rui Jorge Martins, com agências
© SNPC | 14.05.13

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