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Santo António e a oração pelas coisas perdidas

«Se milagres desejais,/ recorrei a Santo António;/ Vereis fugir o demónio/ E as tentações infernais.// Recupera-se o perdido,/ Rompe-se a dura prisão/ E no auge do furacão/ Cede o mar embravecido (…).» Recitando com devoção estas palavras, muitíssimos devotos de Santo António relatam ter reencontrado miraculosamente os objetos perdidos, de maneira particular de uso diário, como óculos, chaves de casa, papéis importantes, etc., o que diz muito sobre a proximidade simbólica de Santo António à vida concreta e até banal das pessoas.

O Responsório de Santo António é, com efeito, a mais conhecida oração antoniana. Um santo que se incomoda com estas minudências é realmente atento e disponível! Mas, e se a recitássemos também para reencontrar quanto de substancial perdemos de vista na nossa vida?

Bastará um «se milagres desejais» para encontrar bons dias para viver, mas também para morrer neste ano? Bastará um «se milagres desejais» para reencontrar motivação e paixão para continuar a ser nada menos do que ser humano? Ou, um pouco mais, para ser irmão e irmã dos outros seres humanos? Bastará um «se milagres desejais» para voltar a tempo para… não fazer nada? Para divertir-me e para rir, para pensar e para agir, para parar por mim e para oferecer aos outros?

Bastará um «se milagres desejais» para reencontrar o ritmo justo e lento para o meu caminhar? Que não perca nada daquilo que está à minha volta, ao meu lado, debaixo e também acima, visível ou invisível? Bastará um «se milagres desejais» para reencontrar os caminhos perdidos que conduzem ao coração das pessoas? Bastará um «se milagres desejais» para reencontrar a nossa aliança com a Criação?



Bastará um «se milagres desejais» para reencontrar a paz e a força da reconciliação? Ouso o impossível… Bastará um «se milagres desejais» a Deus para nos encontrar, escondidos que estamos nas nossas misérias e mesquinhices?



E se, agora, subir a parada? Bastará um «se milagres desejais» para reencontrar a nossa Igreja cada vez mais evangélica, sem precisar de se apoiar em qualquer poder deste mundo, livre para estar com quem quer que seja, sobretudo com os mais pobres entre nós? Bastará um «se milagres desejais» para reencontrar, para nós cristãos, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, grandes e pequenos, letrados ou ignorantes, a radicalidade e a alegria do nosso testemunho de fé?

Bastará, para todos nós, cidadãos, para os nossos administradores e políticos, um «se milagres desejais» para reencontrar o sentido cívico e a paixão pela justiça, a verdade e a honestidade? Bastará um «se milagres desejais» para reencontrar o nosso sentido de responsabilidade?

Bastará um «se milagres desejais» aos nossos educadores, pais, catequistas para reencontrar a motivação e a coragem para assumirem seriamente as suas tarefas educativas? Bastará um «se milagres desejais» para fazer reencontrar às nossas crianças o prazer da descoberta e da maravilha, dos jogos inventados com nada e o prazer de esperar?

Bastará um «se milagres desejais» para reencontrar a paz e a força da reconciliação? Ouso o impossível… Bastará um «se milagres desejais» a Deus para nos encontrar, escondidos que estamos nas nossas misérias e mesquinhices? E se recitar com devoção o «se milagres desejais», será que poderei mesmo reencontrar-me a mim próprio?


Imagem Santo António | Séc. XVIII

 

Fr. Fabio Scarsato
In Messaggero di sant'Antonio
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: Santo António (det.) | Séc. XVIII
Publicado em 13.01.2020

 

 
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