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Sete ensinamentos de Jesus sobre a oração (II)

«Tudo aquilo que pedirdes no meu nome, Eu o farei»

Orar é também pedir a Deus aquilo de que temos necessidade, mas pedi-lo no nome de Jesus. Isto, por um lado, significa unir a nossa oração à de Jesus, que «à direita de Deus intercede por nós»; mas, sobretudo, concordar a nossa oração com a sua, isto é, ter em nós os mesmos sentimentos e os mesmos pensamentos que existem nele.

Com efeito, o propósito da oração é que nós façamos a vontade do Pai, não que Deus faça a nossa; as nossas orações não transformam o desígnio de amor de Deus sobre nós, mas são os dons que Deus concede na oração a transformar-nos e a colocar-nos em sintonia com a sua vontade. É por isso que, se se ora no nome de Jesus – desconcertante, mas verdadeiro – já se é atendido, tendo colocado como primado sobre tudo a vontade de Deus que se cumpre em nós e em todas as criaturas do Céu e da Terra; este primado foi a sede de Jesus ao longo de toda a sua vida, foi o seu alimento diário.

É preciso acreditar que somos escutados, porque tudo se torna possível àquele que tem fé; quem, ao contrário, na oração se mostra balanceado ente confiança e ceticismo, não reconhece que Deus, através de Jesus Cristo, possui o poder de realizar infinitamente mais do que quanto o ser humano possa pedir ou pensar.

 

Orar com humildade, como o publicano

O orgulho, o desprezo dos outros, a sobrevalorização de si próprio, são tudo impedimentos à oração; ao contrário, afirmar com convicção, como o publicano da parábola, «ó Deus, tem piedade de mim, pecador», é a primeira palavra para se dirigir a Deus.

Nenhuma autoexaltação é possível perante o Deus três vezes Santo, mas só o conhecimento do próprio pecado. Quando isto acontece, eis que se cumpre o grande milagre: «Aquele que conhece o seu pecado é maior do que quem ressuscita os mortos» (Isaac de Nínive).

No Evangelho segundo Lucas, o modelo de tal disposição interior é o publicano, o pecador justificado porque se apresentou a Deus naquela humilhação que, só por si, pode introduzir a humildade. Significativamente, na “Regra” de S. Bento, ao monge é proposto como modelo de humildade o publicano do Evangelho, não o fariseu, tão cego na sua arrogância humana e espiritual. De resto, Pedro é o primeiro discípulo perdoado, logo desde o momento do seu chamamento, quando, ao discernir Jesus como Senhor, grita: «Afasta-te de mim, que sou um pecador».

A relação entre Deus e o ser humano na oração deve ser colocada na íntima verdade dos protagonistas desse encontro: o Criador e a criatura, o Pai pródigo de amor e o filho perdido e reencontrado, o Médico e o doente, o Santo e o pecador.

 

Orar juntos, concordes com os irmãos

Se é verdade que também a oração solitária deveria ser feita em comunhão com toda a humanidade, tal comunhão deve ser a nossa preocupação principal nomomento da oração comum.

Com efeito, Cristo assegurou a sua presença nessa situação: «Onde estão dois ou três reunidos no meu nome, Eu estou no meio deles». O acento específico da exortação de Jesus recai no fazer convergir as vozes, que tem como exigência o concordar-se, o fazer convergir os corações, ou seja, percorrer um caminho para uma comunhão profunda de sentimentos, a fim de serem apresentados conjuntamente diante de Deus. A oração “sinfónica” feita na Terra encontra a escuta nos Céus. É significativo o que se afirma da primeira comunidade cristã, nascida do Pentecostes: vivia da união fraterna, da prática conjunta da oração, tendendo a ser «um só coração e uma só alma».

Na oração, por isso, não se trata só de unir as vozes em pedido e ação de graças, mas fazê-lo unindo o coração de todos. Arte difícil a da concordância, mas não se pode orar juntos sem esta caminho árduo de reconhecimento do outro, da sua alteridade, da sua diferença, dos seus dons e do seu serviço na Igreja. Sem eliminar as diferenças e sem englobar com voracidade a oração do outro, trata-se de acolher o seu pedido na única busca do Reino que vem; assim se confere unanimidade à oração, não através do consenso, mas mediante a conversão dos próprios pensamentos nos de Cristo. Infelizmente, muitas vezes não tem suficientemente em conta a importância desta oração concorde, que é a primeira e elementar instância para viver a comunhão na comunidade e na Igreja.


 

Enzo Bianchi
In Perché pregare, come pregare, ed. San Paolo
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: DedMityay/Bigstock.com
Publicado em 05.02.2020

 

 
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