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Sete iniciativas paroquiais que podem continuar após o confinamento

Durante o confinamento não faltaram iniciativas nas paróquias. “Newsletters”, celebrações em direto pela internet, retiros à distância, números de telefone para pessoas isoladas.

Muitos párocos e leigos mal sabiam operar uma câmara de vídeo, e ei-los não só a aprender a funcionar com elas, como a preparar e a concretizar ligações à internet para as celebrações e mensagens. O Facebook e o WhatsApp foram amplamente explorados.

E se é verdade que não poucos agentes pastorais já desde há muito estavam familiarizados com este universo, outros descobriram um “admirável novo mundo”. Será que todas estas iniciativas vão continuar após o confinamento e o aguardado regresso às celebrações públicas?

Um olhar sobre sete domínios onde a criatividade da Igreja se manifestou, reagindo com prontidão e entusiasmo à adversidade, para continuar ligada aos crentes (e também chegar a muitos não-crentes).

1. Uma liturgia 2.0
Com a interdição das celebrações comunitárias foi atingido o coração da vida cristã. Mas não o matou. Para permitir aos fiéis confinados ter acesso à liturgia, as paróquias criaram ou deram mais dinamismo a contas no Facebook e YouTube para difundir a missa. Os Ofícios da Liturgia das Horas – nomeadamente Laudes, Vésperas e Completas – e a recitação do terço foram muito seguidos, assim como a adoração do Santíssimo Sacramento.
A par da comunhão espiritual ressurgiram algumas devoções, como as bênçãos de lugares como Santíssimo Sacramento, não só a partir dos campanários e tetos de igrejas, como através de viaturas. Celebraram-se missas para tempos de epidemia e aumentaram as orações para pedir o fim da calamidade.
O sucesso destas iniciativas deixará, forçosamente, traços na Igreja e na prática dos fiéis. No entanto, para alguns párocos, a transmissão em vídeo não é para prosseguir: «As nossas paróquias estão ancoradas em territórios, e o uso do virtual está condicionado a uma situação excecional», considera um pároco de Paris. E a missa a que o papa Francisco preside todas as manhãs, na capela da Casa de Santa Marta, deixou de ser transmitida depois do progressivo regresso à normalidade.

2. Um tempo oferecido para rezar
Com a partilha dos textos e das intenções de oração, e as reuniões em vídeo, as redes digitais permitiram fazer perdurar várias cadeias e grupos de oração. Durante esta crise sanitárias, floresceram as dirigidas aos doentes e às pessoas em recuperação. Numa diocese de França rezou-se o Angelus três vezes por dia pelos médicos. Houve padres que, nas suas comunidades, acenderam velas nas igrejas quando solicitados pelas pessoas.

3. Regresso à igreja doméstica
Na impossibilidade de entrar nas igrejas, a vida dos fiéis concentrou-se na primeira delas: a família. De acordo com uma sondagem realizada em França, 62% dos católicos praticantes rezaram mais em família durante o confinamento. Muitos deles viveram a Vigília Pascal em família, lendo os textos litúrgicos, ou seguindo o caminho da cruz (via-sacra).
Para alimentar a fé, muitíssimas páginas propuseram textos e orações para os tempos e domingos litúrgicos, muitas vezes adaptando-os a múltiplas realidades familiares, desde pessoas sós a agregados com filhos, jovens e crianças.

4. Retiros, vigílias e peregrinações virtuais
Estas iniciativas estão também entre as grandes sacrificadas do confinamento. No entanto, foram imaginados vários paliativos, ao ponto de muitas terem obtido uma audiência reforçada através da modalidade digital. Por exemplo, uma peregrinação à Terra Santa foi substituída por um programa que compreendia uma mensagem e vídeo matinais; à tarde propôs-se um tempo de oração em conjunto, por videoconferência. Não se trata de os padres se converterem em tele-evangelistas, mas de terem inteligência e discernimento para utilizar os recursos digitais.

5. Organização e espírito prático
Perante a crise, dioceses e paróquias brilharam pela inventividade prática: “newsletters”, “Doodle” para organizar uma presença de acolhimento nas igrejas durante o confinamento, números de telefone para pessoas sós – numa diocese francesa, quinze padres revezaram-se num serviço de escuta ininterrupto das 8h00 às 22h00. Foram criados números verdes para capelães de instituições de saúde e de reclusão. A disponibilidade, generalizada, manifestada pelos padres para disponibilizarem os seus contactos sensibilizou muitos paroquianos.

6. Uma caridade que não diminuiu
Para ajudar as pessoas fragilizadas pela pandemia – pense-se naquelas que perderam parte significativa dos seus rendimentos, ou ficaram sem eles –, foram lançadas muitas iniciativas. O confinamento também acentuou a solidão, sobretudo dos mais idosos; para a minorar foi criada uma aplicação digital que visava enviar, por via eletrónica, cartas aos residentes de lares de acolhimento.

7. Ensinamentos virtuais
O confinamento foi ocasião para desenvolver a formação. Houve bispos que enviaram mensagens, por vezes diárias, tanto escritas como em vídeo. Várias dioceses e serviços de catequese produziram multimédia para aprofundamento da fé. Mais uma vez, o futuro destas iniciativas não será o mesmo em todo o lado. «Os nossos vídeos tiveram algum sucesso (…); mas a nossa vocação não é a de nos tornarmos um centro de formação pela internet», refere um pároco. Outro, testemunha diferentemente: «As pessoas perguntam-nos se os vídeos vão continuar. Elas gostam de ver os seus pastores. Por isso, sim, vamos continuar! A página do Facebook e os nossos vídeos são seguidos por praticantes, mas não só. Isto vale também para a página pessoal que criei. É uma maneira de tocar um público que não vemos habitualmente, de ir ao seu encontro. Não o teríamos pensado sem o confinamento».


 

Jean-Marie Dumont, Bertrand Duguet
In Famille Chrétienne
Trad. / edição: Rui Jorge Martins
Imagem: D.R.
Publicado em 28.05.2020

 

 
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