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Rumo ao amor, dia 33: Sonhos sem realidade

Muitas vezes os nossos sonhos nascem e amadurecem sem que nós o decidamos, não são um ato de vontade, somos como que chamados por eles.

Os sonhos são depostos em nós como uma semente e polarizam tudo: por vezes torna-se um sim de toda a pessoa, outras vezes pensamos que viver um sonho é demasiado pouco, e por isso deixamo-lo morrer e fazemos nascer outro.

Hoje vivemos a instabilidade dos sonhos a longo prazo, curamos um sonho com outro sonho, uma paixão com outra paixão, um desejo com outro, sem permitir-lhes que se tornem realidade.

Os sonhos adoecem e morrem se não se tornam vida, se não permanecem dentro da fidelidade a nós mesmos, se não nos fazemos hóspedes no seu mistério, se não sabemos esperar, se os consideramos uma conquista em vez de um encontro. A espera não é passividade, é fermento.

Não é fácil compreender se é desejo que gera em nós inquietude, ou é a inquietude que gera o desejo. Somos doentes de infinito, andamos ansiosos não pelo pouco, mas pelas demasiadas ofertas, os demasiados sonhos e desejos a que gostaríamos de ter acesso, mas a que não podemos chegar.



São a coragem e a criatividade que impelem o sonho a tornar-se realidade. O criativo não é o fantasioso, mas é aquele que, como Zaqueu,é capaz de se sintonizar com a realidade, e sabe criar harmonia entre o mundo em que vive e o mundo que vive nele



Deixámos adormecer a inteligência, essa capacidade de ler dentro de nós e dentro dos acontecimentos, de transformar as paixões e os sonhos em ações. Há uma desproporção entre aquilo que se pode e aquilo que se deseja.

Ainda que permaneçam vivos os sonhos, as emoções, a ternura, estamos cansados de viver uma realidade esmagada que não abraça o sonho. Os sonhos e as paixões requerem progressividade e paciência, criatividade e coragem para se tornarem vida.

Zaqueu, no meio da multidão, deseja ver Jesus, um desejo que não sucumbe perante a sua baixa estatura. Torna-se criativo e vê que entre ele e Jesus está uma árvore de sicómoro, que em hebraico quer dizer “árvore da loucura e da coragem”; trepa-a e consegue vê-lo, enquanto nós vivemos debaixo de uma chuva sem fim e sem regra de imagens e palavras onde a fantasia é sufocada e a criatividade é reprimida.

São a coragem e a criatividade que impelem o sonho a tornar-se realidade. O criativo não é o fantasioso, mas é aquele que, como Zaqueu, é capaz de se sintonizar com a realidade, e sabe criar harmonia entre o mundo em que vive e o mundo que vive nele.

Os sonhos precisam de paciência e de um passo de cada vez sem ter de recomeçar sempre do início; precisam de tempo para fazer amadurecer em nós aquilo que ainda não foi resolvido no coração.

Para transformar os sonhos em realidade é necessário um tempo longo, capaz de penetrar até ao coração da vida, onde os frutos libertam o seu perfume.


 

Luigi Verdi
In Il domani avrà i tuoi occhi, ed. Romena
Trad.: Rui Jorge Martins
Imagem: master1305/Bigstock.com
Publicado em 29.03.2020

 

 
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