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Rituais fúnebres

Tibete: Esmola às aves

Apesar de muitos budistas preferirem seguir o exemplo de Buda e serem cremados depois da morte, há variações.

No Tibete, onde a terra não é propícia ao enterro e os invernos rigorosos dificultam a cremação, sobrevive uma tradição pouco comum noutras partes do mundo, a excarnação.

A prática chama-se Jhator, em tibetano, o que significa “Esmola às aves”, e enquadra-se na crença budista de praticar boas ações, mesmo com a morte, para ganhar méritos e assim garantir um melhor destino para a alma.

Enquanto os zoroastrianos praticam a excarnação deixando o corpo à mercê da natureza, mas interferindo o menos possível no processo, no Tibete os monges responsáveis pela prática têm a tarefa de preparar o corpo para ser consumido pelos abutres.

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Esta preparação varia, mas pode incluir o desmembramento do cadáver, a esfolação e em alguns casos o retirar dos órgãos vitais. O falecido é depois colocado numa plataforma elevada, que pode ser apenas uma rocha lisa, e deixada ao ar livre.

Certo é que, no fim de contas, todos os restos são consumidos pelas aves, principalmente pelos abutres. Mesmo os ossos acabam por ser moídos e misturados com manteiga ou leite para serem comidos pelos corvos.

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Embora seja praticado por monges este ritual tem essencialmente o propósito de dispor dos restos mortais uma vez que no Budismo estes não têm qualquer valor após a partida da alma.

 

Filipe d'Avillez
© SNPC | 22.02.11

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