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Leitura: "Aos jovens, sobre como tirar proveito da literatura"

«O grande S. Basílio de Cesareia mostra bem que quanto mais nos aproximamos das origens do cristianismo melhor percebemos o que pode ser o seu futuro. Por isso, este livro, que Miguel Cabedo e Vasconcelos cuidadosamente traduziu, é uma preciosa bússola ao nosso alcance.»

É nestes termos que o diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, P. José Tolentino Mendonça, descreve a obra "Aos jovens, sobre como tirar proveito da literatura".

«A teologia habita o território da palavra. Ela é diálogo e tradução. Eis porque, neste seu estudo, Miguel Cabedo e Vasconcelos nos conduz ao âmago do que é teologar: ao diálogo com a atualidade do passado da tradição cristã e à tradução que permite – coisa rara entre nós – escutar Basílio de Cesareia em português», assinala o P. Alexandre Palma sobre a obra publicada pela Universidade Católica Editora.

O escrito, acrescenta o professor da Faculdade de Teologia, constitui também um contributo para o «decisivo diálogo teológico e cristão com todas as literaturas e culturas e à tradução do humano que nestas também superiormente se diz».

Nascido cerca do ano 330 na Capadócia, em Cesareia, hoje a cidade turca de Kaysery, Basílio provinha de uma família de profunda espiritualidade. Além dos pais, três dos seus nove irmãos são contados entre os santos.

Antes de ser bispo na sua terra natal, viveu na Palestina e Egito, tendo sido atraído pelo deserto e pela vida monástica. Com Gregório de Nazianzo, que conheceu durante os estudos em Atenas, elaborou uma regra monacal que será imitada no Ocidente. Viveu apenas 49 anos, mas a sua intensa e profunda atividade de pregador valeu-lhe o cognome de "Magno".



«Num tempo em que a cultura helénica chegava ao seu termo, já longe dos tempos áureos de Atenas, Basílio de Cesareia nota que os jovens cristãos de então são chamados, na sua formação escolar, a tomar uma posição ética diante dos clássicos da literatura grega»



Recebeu a ordenação sacerdotal pelo ano 364 de Eusébio de Cesareia, a que sucede na cátedra episcopal em 370. Morreu no primeiro dia de janeiro de 379, em Cesareia, onde foi sepultado.

«Podemos, finalmente, ler em versão e edição portuguesas, o "Discurso aos jovens" de São Basílio que, sem ser a sua "opera magna", é uma das mais importantes da literatura patrística», assinala o Fr. Isidro Lamelas, especialista nos autores proeminentes dos primeiros séculos do cristianismo.

A relevância da obra «advém sobretudo do facto de assinalar um momento decisivo no diálogo do cristianismo com a cultura antiga e no acolhimento definitivo dos "saberes que dizem respeito à humanidade" ("studia humanitatis") ou "saberes com que é costume formar os jovens para serem homens", no seio do cristianismo e, por esta via, na posterior tradição humanista. Não admira, pois, que, cada vez que a humanidade atravessou períodos críticos, a obra Ad Adolescentes foi mais lida e estudada. E merece sê-lo, de novo», assinala.

«Num tempo em que a cultura helénica chegava ao seu termo, já longe dos tempos áureos de Atenas, Basílio de Cesareia nota que os jovens cristãos de então são chamados, na sua formação escolar, a tomar uma posição ética diante dos clássicos da literatura grega», explica a nota de apresentação.

Ao aperceber-se «de que o cristianismo não tem ainda a envergadura cultural necessária para se afirmar num tal contexto», propõe o discurso que a obra agora publicada apresenta e estuda, «focando-se na questão do discernimento, noção indispensável para tirar proveito da literatura profana».



«Se queremos empreender em nós a ideia do belo de tal maneira vigorosa de tal modo que seja impagável, devemos iniciar-nos nas ciências profanas, antes de querer entrar nos segredos das ciências sagradas. Através delas acostumar-nos-emos a essas luzes vivas, como nos acostumamos a olhar o sol ao ver a sua imagem na água»



«Numa das suas mais geniais intuições, Basílio torna-se, com este discurso, um dos protagonistas da incorporação da cultura helénica no cristianismo, nomeadamente da paideia grega, e da correspondente cristianização do helenismo», aponta a sinopse.

Dado que a idade jovem não permite ainda «penetrar na profundidade» das Sagradas Escrituras, Basílio propõe que os leitores mais novos exercitem os «olhos» do «espírito» em obras que não lhe são opostas.

«É assim que se ocupam os soldados com diversos exercícios que parecem divertimentos, mas que lhes servem para combates sérios. Imaginai que nos é proposto um combate da maior importância, e que para ele é preciso preparar-nos com todo o cuidado de que somos capazes, ocupar-nos da leitura dos poetas, dos oradores, de todos os escritores que podem servir-nos para aperfeiçoar a nossa alma», lê-se numa tradução do original grego.

No mesmo capítulo segundo, assinala S. Basílio (numa tradução livre): «Se queremos empreender em nós a ideia do belo de tal maneira vigorosa de tal modo que seja impagável, devemos iniciar-nos nas ciências profanas, antes de querer entrar nos segredos das ciências sagradas. Através delas acostumar-nos-emos a essas luzes vivas, como nos acostumamos a olhar o sol ao ver a sua imagem na água».

Miguel Cabedo e Vasconcelos nasceu em 1987. Em 2017 defendeu a dissertação final do mestrado integrado e Teologia, que deu origem ao livro, e foi ordenado padre, sendo adjunto do pároco de Algés e Cruz Quebrada (patriarcado de Lisboa) e capelão da Universidade Católica, em Lisboa.


 

SNPC
Biografia de S. Basílio: Avvenire
Imagem: Sonjachnyj/Bigstock.com
Publicado em 08.06.2018

 

Título: Aos jovens, sobre como tirar proveito da literatura
Autor: S. Basílio de Cesareia
Editora: Universidade Católica Editora
Páginas: 120
Preço: 9,90 €
ISBN: 9789725406007

 

 
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