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O futuro do cristianismo em França

De acordo com uma sondagem realizada entre os dias 31 de Outubro e 2 de Novembro para o jornal francês La Croix, sobressai um paradoxo na relação dos franceses com o cristianismo: os inquiridos pensam que as Igrejas são suficientemente visíveis, embora não conheçam muitos cristãos comprometidos.

 

Os cristãos são “suficientemente visíveis”

Para uma maioria (67%), os cristãos são suficientemente visíveis. Em contrapartida, enquanto alguns crentes se queixam que é difícil exprimir e praticar publicamente a sua fé, apenas uma minoria dos inquiridos (5%) pensa que os cristãos são “demasiadamente visíveis”. A questão também divide os católicos: os praticantes (59%) sustentam que é necessária uma maior visibilidade, ao passo que 69% dos não-praticantes consideram que os cristãos são suficientemente visíveis.

 

Quatro em dez franceses não conhecem nenhum cristão comprometido

59% das pessoas inquiridas têm, dentro dos seus relacionamentos próximos, um ou mais cristãos “praticantes ou implicados na vida da Igreja”. Os analistas do jornal La Croix consideram, no entanto, que estes números, ao expressar que quatro em dez pessoas não conhecem nenhum cristão eclesialmente comprometido, revelam uma clara secularização da sociedade.

 

Missões dos cristãos no século XXI

Lutar contra a pobreza (no país) e agir em favor da paz (no mundo) são as principais missões que os franceses atribuem às Igrejas para o século XXI. A primeira é sobretudo subscrita (65%) pelos menores de 35 anos, enquanto que a segunda é mais apontada (56%) pelas pessoas com idade igual ou superior a 65 anos.

Do lado dos católicos parece haver uma divisão quanto ao papel da Igreja: 54% dos praticantes colocam à cabeça das tarefas da Igreja o trabalho pela paz no mundo, ao passo que 34% (número que os analistas consideram extraordinariamente reduzido) indica como primeira missão “dar a conhecer a mensagem de Cristo”. Os não praticantes, como seria de esperar, pronunciam-se largamente em favor da luta contra a pobreza e pela edificação da paz.

Sublinhe-se ainda o desejo mais feminino (42%, contra 27% dos homens) de ver a Igreja “presente e disponível nos momentos decisivos da vida”.

 

Comunicação com os jovens e transmissão da fé

A crítica é quase unânime: os cristãos e as suas Igrejas não sabem comunicar bem nem dirigir-se convenientemente às novas gerações. 70% dos contactados estão de acordo com esta ideia, número que atinge os 75% nas pessoas com menos de 35 anos.

Inquiridos sobre a sua posição face à afirmação de que “todas as religiões se equivalem”, 62% manifestam o seu acordo. Este “relativismo”, tantas vezes denunciado por Bento XVI, está repartido pelos católicos praticantes (63%) – um paradoxo – e pelos não praticantes (60%).

Um outro índice recolhido pela sondagem refere-se ao facto de 77% dos católicos praticantes defenderem a ideia de que “a mensagem e os valores do cristianismo permanecem actuais”, contra 51% dos inquiridos (e 33% das pessoas sem religião).

No que diz respeito à transmissão da fé, para perto de dois terços dos franceses – e de 87% das pessoas sem religião – “os pais deveriam deixar aos seus filhos a possibilidade de escolher uma religião”.

in La Croix

© SNPC: Tradução | Publicado em 13.11.2007

 

 

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