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Liberdade de expressão ou ofensa aos católicos?

Diocese de Ibiza ameaça Câmara Municipal com processo judicial

A Diocese de Ibiza, Espanha, anunciou que irá processar judicialmente o Museu de Arte Contemporânea de Espanha se aquela instituição não retirar um conjunto de imagens religiosas consideradas pornográficas, da autoria do holandês Ivo Hendrick, que estão expostas na antiga Igreja de Santa Maria de Graça, mais conhecida como “L'Hospitalet”, situada na cidade que tem o mesmo nome da ilha.

As imagens contêm símbolos e personagens católicos misturadas com cenas de sexo homossexual explícito. O Bispo de Ibiza, D. Vicente Juan Segura, qualificou as colagens expostas no interior do edifício, que é propriedade da Igreja, como “uma ofensa aos sentimentos dos católicos”, advertindo a Câmara Municipal que se as obras não forem retiradas imediatamente, a Diocese procederá à revisão e eventual denúncia do acordo de cedência daquele espaço à autarquia; se ainda assim a exigência não for cumprida, recorrer-se-á aos tribunais.

Uma das cláusulas do convénio entre a Igreja e o «Patronato Municipal de Arte Contemporâneo» estabelece que anualmente ambas as partes definirão, de acordo mútuo, o calendário e o conteúdo das actividades a ter lugar na antiga igreja, norma que não foi seguida, já que a Diocese e a Fundação que gere aquele espaço “nunca deram o seu consentimento” à presença daquelas obras.

A responsável pelo pelouro da Cultura da Câmara Municipal declarou que não cederá ao pedido do Bispo e que as obras “evidentemente, não irão ser retiradas”. A socialista Sandra Mayans explicou ainda que o seu governo “não censurou nem irá censurar nenhum tipo de exposição” e que a sua função é “velar pela liberdade de expressão dos artistas”, que qualificou como “fundamental numa sociedade democrática”. Depois de considerar que, como mãe, não se importaria que a sua filha visse essas cenas, “que são do mais natural do mundo”, a responsável afirmou que “estamos a falar de arte, e não do acto sexual em si”.

A Diocese respondeu que “não se compreende como é que o abuso da liberdade artística e de expressão pode ser utilizado para ferir os sentimentos dos católicos, ainda para mais num edifício que é propriedade da Igreja e onde, durante muitos anos, se celebrou o culto católico”. A terminar o comunicado, foi ainda solicitado que se tomem “as precauções necessárias” para que não se repitam no futuro estes “factos deploráveis”.

Por seu lado, o conselheiro da Política Cultural da autarquia, Marià Torres, que se afirmou católico praticante, assegurou que as obras não o ofendiam, que “a arte é livre” e que devia prevalecer “a liberdade de expressão do artista”. O responsável adiantou ainda que o subsídio concedido a esta mostra colectiva, intitulada “Vamos a Ibiza”, foi aprovado no anterior mandato da Câmara, de maioria do Partido Popular; e acrescentou: “Há que ser tolerante e estar com um olhar limpo perante a arte”.

A Igreja de Santa Maria da Graça foi cedida em 1997 ao «Patronato Municipal de Arte Contemporâneo» com a finalidade de acolher actividades estabelecidas nos seus estatutos. “Não parece que nos referidos estatutos se inclua a ofensa aos sentimentos dos católicos e a injuria às pessoas”, refere o comunicado da Diocese.

El Mundo

© SNPC - Publicado em 21.09.2007

 

 

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D. Vicente Juan Segura, Bispo de Ibiza
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