
Apelo à renovação dos princípios fundadores das Nações Unidas
O Arcebispo Dominique Mamberti, Secretário de Estado do Vaticano para as Relações com os Estados, discursou no passado dia 1 de Outubro perante as Nações Unidas, em Nova Iorque, tendo apelado a uma renovação dos princípios fundadores daquele Organismo.
O arcebispo frisou que a origem dos conflitos, da degradação ambiental e das injustiças sociais e económicas reside no esquecimento ou na aceitação selectiva ou parcial do princípio do respeito pela dignidade humana.
Depois de constatar que os ataques terroristas que marcaram o princípio do século levaram à interiorização de visões pessimistas sobre a humanidade, baseadas no choque de civilizações, o Secretário de Estado afirmou que, por vezes, a resposta à violência se concretizou em extremismos nacionalistas, no uso da força ou na relativização dos valores ligados à dignidade humana, em especial no que diz respeito ao direito universal à vida e à liberdade religiosa.
Lembrando que em 2008 se assinala o 60.ºaniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Arcebispo Mamberti declarou que esses direitos não se baseiam na mera vontade dos seres humanos nem nos poderes públicos, mas encontram-se enraizados nas exigências inerentes à natureza da pessoa humana.
O prelado afirmou que é fundamental assegurar que o direito à vida é universalmente respeitado desde a concepção à morte natural.
Por outro lado, indicou D. Mamberti, “temos de trabalhar para parar e reverter a cultura de morte abraçada por algumas estruturas sociais e legais, que tentam fazer com que a supressão da vida seja aceitável mediante a máscara de um serviço médico ou social. Neste sentido, a abolição da pena de morte deve ser igualmente vista como uma consequência do pleno respeito pelo direito à vida".
A dignidade humana, prosseguiu o Arcebispo, pode ser aperfeiçoada mediante o diálogo inter-religioso e inter-cultural, que é o caminho para a paz: “De facto, o diálogo entre os povos de diferentes culturas e religiões não é uma opção; é algo indispensável para a paz e para a renovação da vida internacional”.
Assim, os líderes religiosos têm de demonstrar que a religião não é nem se pode tornar num pretexto para o conflito; devem também declarar sem ambiguidades que promover a violência e a guerra em nome da religião constitui uma contradição flagrante.
D. Dominique Mamberti explicou que este diálogo apenas pode ter lugar em determinadas condições: “Muitos dos problemas que são hoje atribuídos quase exclusivamente às diferenças culturais e políticas, têm a sua origem em injustiças sociais e económicas. A libertação das carências – doença, fome, ignorância – é um pressuposto necessário para um diálogo sereno entre as civilizações”.
Na sua alocução, o Secretário de Estado referiu os graves problemas existentes no Darfur - D. Mamberti foi núncio apostólico no Sudão entre 2002 e 2006 -, Iraque, Líbano, e Birmânia, tendo igualmente evocado o conflito entre Israel e a Palestina.
CNA / CO
Publicado em 03.10.2007
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