
Bento XVI desafia cineastas a filmar o inefável
Mediante uma mensagem dirigida ao arcebispo de Guadalajara, cardeal Juan Sandoval Iñiguez, o Papa Bento XVI fez-se presente no início dos trabalhos do Simpósio Internacional «Filmar o Inefável 2007».
A carta representa um apoio ao Simpósio e à iniciativa promovida nesta cidade mexicana de pôr em andamento o Centro Superior de Produção Cinematográfica, Filmar o Inefável, A.C. (CSPC).
Na missiva o Papa Bento XVI sublinha que a iniciativa do Centro de Produção "favorece um diálogo eclesial com os profissionais da comunicação audiovisual, especialmente os cineastas, que buscam numa visão antropológica cristã uma fonte de inspiração para o seu trabalho artístico".
A mensagem pontifícia convida quem trabalha no campo da cinematografia "a desenvolver um cinema de qualidade que, evitando aspectos tantas vezes redutivos, proponha valores universais e modelos de convivência cidadã, e favoreça também o diálogo entre os povos e uma cultura de paz, pressuposto irrenunciável para a civilização do amor".
O documento expressa que o mundo do cinema, quando se abre à dimensão transcendente da vida e ao mistério que palpita no fundo do ser humano, é capaz de promover um autêntico humanismo, repleto de genuínos valores como a esperança e a fraternidade, a concórdia e a paz.
O Santo Padre envia a sua bênção apostólica até à sede do Simpósio e assegura que reza ao Senhor para que ilumine todos os que nele participam, especialmente os jovens cineastas, "para que compartilhem esta mensagem no seu próprio ambiente".
O cardeal Sandoval Iñiguez, arcebispo de Guadalajara, inaugurou e abençoou, em 3 de Setembro, as instalações do Centro Superior de Produção Cinematográfica, Filmar o Inefável, A.C., assim como os trabalhos que se iniciam formalmente com os 21 cineastas que trabalharão nas instalações.
Antes da leitura da bênção de locais destinados a meios de comunicação, o cardeal Sandoval rezou pelas iniciativas do Centro, para que quem trabalhe nele, e os jovens que vêm para estudar, contribuam em algo "para iluminar o que falta neste mundo".
O Pe. Javier Magdaleno Cueva, director do CSPC, apresentou ao cardeal Sandolval Iñiguez a primeira geração que este Centro forma, composta por jovens provenientes da Venezuela, Itália, Uruguai, Chile, Brasil, Colômbia e Cuba, assim como cineastas de origem mexicana que deixaram os seus trabalhos, casas e famílias para iniciar este novo projecto cinematográfico.
No acto de inauguração também se fez presente, através de uma carta, o cardeal Paul Poupard, que foi até há poucos dias presidente do Conselho Pontifício para a Cultura; na mensagem destacou que o desafio do CSPC consiste em "recuperar, ou inclusive criar, novas linguagens expressivas capazes de manifestar esta dimensão profunda e transcendente da existência humana... Em determinado momento a nossa época perdeu o assombro ante a realidade. Tornámo-nos analfabetos do inefável, inábeis para decifrar o código de beleza que nos oferece a realidade na sua candura originária, e, consequentemente, para a reproduzir com meios adequados".
Ao mesmo tempo em que expressou os seus melhores votos aos organizadores e participantes do Simpósio, o cardeal Poupard advertiu que a tarefa do CSPC não é fazer cinema religioso, «mas desenvolver novos métodos expressivos para transmitir e fazer chegar ao homem de hoje o inefável, na linha do conceito ‘amplo’ de razão, o Logos, que Bento XVI não cessa de propor».
Zenit
Publicado em 07.09.2007
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