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Exposição

Os Gregos - Tesouros do Museu Benaki, Atenas

Uma viagem de sete mil e quinhentos anos pela Arte e Cultura da Grécia. Num universo de 157 objectos – os primeiros remontam ao Neolítico Médio, entre 5800 e 5300 a.C., o último é datado de 1834 – são mostradas peças de escultura, cerâmica, ourivesaria, metais, têxteis, arte do livro e pinturas do Museu Benaki de Atenas.

Além de reforçar a indiscutível influência da Grécia no contexto europeu, esta exposição ajuda-nos a enquadrar, ainda que indirectamente, a importância da língua e da cultura gregas para a expansão do Evangelho; por outro lado, assinala, de modo explícito, o desenvolvimento do ramo oriental do cristianismo.

As obras expostas são enriquecidas por um conjunto de breves textos que, ao longo de 13 etapas, dividem a história da Grécia. Ignorar essas sínteses será uma grave perda.

Vejamos o que nos diz a passagem referente ao «Período Geométrico»: “O rápido crescimento registado no século VIII a.C. e a procura de novos recursos levam os cidadãos a fundarem as primeiras colónias no Mediterrâneo Oriental e, a partir de 770 a.C., também no Ocidental. O conceito de ‘polis’ (cidade) faz a sua aparição (…). Com as suas crenças religiosas sedimentadas, os gregos constroem os primeiros templos e fundam grandes santuários, alguns de carácter local e outros de carácter pan-helénico (Olímpia, Delfos, Dodona) (…). A recuperação da escrita em 750 a.C. e a criação do alfabeto grego com base no fenício estão possivelmente relacionados com a composição dos poemas épicos por Homero, natural da Ásia Menor, nos finais do século VIII a.C.”.

Seria durante o Período Helenístico que se consolidaria a influência da Grécia: “Alexandre, o Grande, sobe ao trono da Macedónia em 336 a.C., unindo as cidades da Grécia Continental no decorrer de uma campanha pan-helénica contra os persas. A fragmentação gradual do Império Persa, a conquista de todos os territórios até aos desertos africanos, a sul, e aos rios Jaxartes e Indo, a oriente, a fundação de novas cidades gregas e a implantação da cultura grega nos limites mais remotos do mundo então conhecido, assinalavam o início de uma nova era, que ficaria conhecida como helenística, convencionalmente delimitada entre 323 a.C., ano da morte de Alexandre na Babilónia, e 31 a.C., ano em que Augusto chega ao poder em Roma.”. E prossegue: “A divisão deste vasto império em reinos, consequência dos conflitos entre os sucessores de Alexandre, não impediu a criação de uma expressão cultural comum no Mediterrâneo, patente tanto na arte como na língua. As influências entre a cultura grega e as culturas locais seriam recíprocas, com os gregos a adaptar deuses estrangeiros, assimilando-os às divindades do panteão olímpico ou fundindo a tradição antiga e a nova naquilo que é conhecido como ‘sincretismo religioso’”.

No termo da primeira parte da exposição, surge o Período Romano: “O pluralismo cultural do Período Helenístico seria realçado pela entrada dos romanos em terras gregas (…). Durante mais de quatro séculos, a civilização greco-romana, com as fortes bases do seu passado helenístico enxertadas na tradição romana, estabelecer-se-ia na Europa desde o oceano Atlântico até aos rios Reno e Danúbio, na África até aos limites do deserto do Sara, e na Ásia entre o Cáucaso, o mar Vermelho e o rio Eufrates (…). O centro do Mundo Antigo transferira-se agora para Roma, onde gravitavam intelectuais e artistas de origem grega, disseminando assim a sua cultura.

A influência do cristianismo abre a segunda metade do percurso, ocupando cerca de três quartos da sua totalidade. Podemos então apreciar cruzes, folhas de saltério em pergaminho, ícones, textos manuscritos (um leccionário e os quatro evangelhos), cibórios, incensários, encadernações de evangeliário, tapeçarias, e mais…

“Com o Édito de Milão (313) e a fundação de Constantinopla (324), o centro de gravidade do Império começou a deslocar-se para Oriente, onde predominavam o conhecimento grego e o legado helenístico, mas com o carácter particular que este adquirira ao longo de séculos de coexistência com civilizações locais no ambiente sincrético do Próximo Oriente. É durante este período que os primeiros temas cristãos são estabelecidos como símbolos oficiais do Estado. O desenvolvimento da iconografia cristã reflecte o novo papel central da Igreja enquanto instituição e centro de poder, recuperando, neste contexto, elementos da tradição pictórica imperial. Não obstante, alguns dos artefactos mais característicos deste período (…) continuam a ser ilustrados com cenas mitológicas, uma vez que apesar da disseminação indiscutível do cristianismo, os temas do reportório antigo continuavam presentes.”

As etapas seguintes da exposição referem o abalo provocado pelo iconoclasmo (séculos VIII e IX), a que se seguiu a definitiva «Restauração dos Ícones» (843). 150 anos depois do Cisma (1054), Constantinopla é capturada pelos Cruzados (1204), que distribuem pelos seus líderes os territórios de Bizâncio. Em 1453 os Turcos Otomanos conquistam a capital.

Os marcos finais da exposição assinalam o «Período Bizantino Médio e Tardio», a «Pintura Religiosa Pós-Bizantina», a «Arte Eclesiástica Pós-Bizantina» e a «Arte Secular sob Ocupação Otomana». O último capítulo desta longa história é dedicado à Guerra da Independência Grega (1821-1830).

Uma lição preciosa sobre a nossa identidade europeia e cristã.

 

 

Os Gregos. Tesouros do Museu Benaki, Atenas

Onde: Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian, Lisboa

Quando: Até 06.01.2008

 

 

© SNPC - Publicado em 08.10.2007

 

 

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