
Como propor o que não muda numa sociedade em mudança?
Na Carta Pastoral para o ano de 2007/8, D. António de Sousa Braga, Bispo de Angra, responde a esta interrogação com a afirmação que é preciso mudar não o Evangelho, mas “a actuação pastoral da Igreja”. A evangelização será nova “na medida em que tiver em conta os destinatários”. A partir das palavras de João Paulo II, o documento relembra que o objectivo da Nova Evangelização é a “instauração da civilização do amor e da solidariedade no mundo”.
Depois de fazer uma breve análise da realidade da sociedade actual, “em que se vai desmoronando o regime de cristandade, no qual se ia transmitindo a fé de geração em geração, quase por osmose”, e em que os cristãos o são por opção e não por tradição, D. António aponta as prioridades pastorais: “É preciso re-evangelizar os baptizados, que vivem à margem da Igreja, ou praticam ocasionalmente e até mesmo os que praticam regularmente, mas que tiveram uma iniciação cristã lacunosa, porque a preocupação pastoral predominante era sacramental, mais do que evangelizadora”. sNo horizonte próximo, “se e quando houver condições objectivas para tal”, é equacionada a convocação de um Sínodo diocesano.
Uma parte significativa da mensagem centra-se no desenvolvimento do ponto de referência programática para 2007/8: “Eucaristia, dom de Deus, para a vida do mundo”.
Citando o n.º 88 da Exortação Apostólica «Sacramentum Caritatis», de Bento XVI, o prelado considera que o serviço de caridade com o próximo nasce à volta do mistério eucarístico, que oferece a força interior e, em certo sentido, o projecto.
A transmissão da fé inclui necessariamente as vertentes evangelizadora e sacramental, mas não pode esquecer a dimensão social: “Não pode haver proposta da fé sem acolhimento das pessoas e interesse solidário pelos seus problemas e situações de vida, isto é, sem o testemunho da fé, que se toma operativa pela caridade (cf. Gal 5, 6), no sentido cristão e abrangente do termo”. Retomando a Bíblia, D. António interroga: “Que fizeste do teu irmão?”; para a seguir perguntar, a partir da parábola do Bom Samaritano: “Quem é o meu próximo? Ou dito de outra forma: de quem é que a Igreja, hoje, é «próxima», deve «fazer-se próxima»?”
Para exprimir a identidade da Igreja como comunhão, e de modo a preparar a eventualidade da convocação do Sínodo diocesano, é recomendada “a reactivação dos Conselhos Pastorais, a todos os níveis: constituindo-os onde não existem e renovando os que funcionam”. Estes organismos são chamados a aprofundar o conhecimento da realidade das comunidades em que estão inseridos, “com vista a uma presença mais visível e crível da Igreja no tecido social, para além das celebrações litúrgicas e das manifestações da religiosidade popular”.
A terminar, D. António lembra que “os leigos são a presença da Igreja na sociedade e trazem para a Igreja os problemas dos homens e mulheres do nosso tempo”. Por isso “não podem ser meros espectadores ou simples colaboradores, por mera boa vontade, mas participantes activos e corresponsáveis da missão, por direito próprio”.
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© SNPC - Publicado em 14.09.2007
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