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Conferência

A religião e os limites da ciência

“A ciência terá limites?” foi a interrogação levantada pela conferência que nos dias 25 e 26 de Outubro reuniu na Fundação Calouste Gulbenkian diversos pensadores e investigadores portugueses e internacionais.

Ainda que não constituísse o núcleo das intervenções, o futuro da religião não deixou de ser mencionado. Segundo a edição impressa do «Público» de 26 de Outubro, uma das grandes incógnitas levantada por George Steiner (conferência disponível, em inglês, no «site» da Fundação Calouste Gulbenkian) é a de saber o que vai substituir a religião nas sociedades ocidentais. “Dará com certeza origem a outra coisa qualquer”, prevê, “porque a maior parte das pessoas não conseguiria suportar o vazio”. Para este pensador, só no futebol se consegue entrever algo de próximo de uma religião universal. Recordando o episódio em que Maradona, após ter metido um golo com a mão, afirmou que fora “a mão de Deus”, Steiner ironiza: “Depois de Agostinho e Tomás de Aquino, Maradona é o nosso último grande teólogo”.

O semanário «Expresso» (27 de Outubro) entrevistou John Horgan, que, entre outros prémios de jornalismo, recebeu o Templeton-Cambridge 2005 de ciência e religião. Questionado sobre se outras fontes de conhecimento – como a teologia, a filosofia, a literatura, a arte – irão tomar o lugar da ciência, o autor do sucesso editorial «O Fim da Ciência» referiu que nos Estados Unidos, por exemplo, “um número muito significativo de pessoas rejeita a ciência e vira-se para as religiões tradicionais, para a espiritualidade, para as correntes da New Age, para as religiões orientais,”. E prossegue: “Um dos grandes temas culturais da actualidade é, de facto, como conciliar estas vias místicas para conhecer a realidade com o racionalismo da ciência. No futuro as pessoas vão procurar outras formas de conhecimento como a literatura, a meditação ou as práticas espirituais. Há muitos caminhos alternativos para conhecer a realidade. Como disse uma vez o famoso linguista americano Noam Chomsky, poderemos provavelmente aprender mais sobre a natureza humana com os romances do que com a ciência.”.

Ainda assim, Horgan - cujo último livro, «Misticismo Racional», aborda o problema da fronteira entre a ciência e a espiritualidade - considera que não se pode dizer que as outras formas de conhecimento irão tomar o lugar da ciência. Trata-se sobretudo do regresso de outros saberes, relativamente esquecidos com as promessas e as conquistas oferecidas pela ciência, que procuram diferentes abordagens do real.

Sobre a Teoria de Tudo, John Horgan pensa que se trata de um “sonho humano que nunca será alcançado. Grandes mistérios como a origem do Universo ou a origem da vida nunca serão resolvidos.”. Confrontado com a existência de várias Teorias de Tudo, o jornalista pensa que o cristianismo, as religiões orientais, a psicanálise, as teorias das Supercordas, da Complexidade, da Catástrofe e do Caos “são muito limitadas naquilo que nos podem explicar. A realidade está sempre um passo à frente de nós.”. E conclui: É por isso que precisamos da poesia e da arte, que olham para a realidade sem nunca a alcançarem.”.

rm

© SNPC - Publicado em 29.10.2007

 

 

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Cartaz da conferência






















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