
Coimbra à descoberta dos presépios
Mais de sete dezenas de pessoas partiram à descoberta dos presépios da cidade. Uma tradição coimbrã, perdida na altura da extinção das ordens religiosas, e retomada "com muito êxito".
Numa altura em que as árvores, bolas, laços e pais natais invadem espaços comerciais, interiores (e cada vez mais exteriores) de habitações ou até edifícios públicos como brilhantes símbolos do Natal, há ainda quem teime em manter viva a tradição e coloque o presépio no lugar que sempre teve em Portugal: de verdadeiro marco da época natalícia.
Depois do interregno de um ano e do êxito que foi, em 2006, a retomada de uma tradição coimbrã, o Grupo de Arqueologia e Arte do Centro (GAAC) e o Grupo Folclórico de Coimbra voltaram ontem a fazer o convite para partir à descoberta dos presépios da cidade, presença assídua em alguns espaços religiosos, mas também noutros locais já habituais, como é o caso da Praça 8 de Maio, da Casa da Cultura ou do quartel dos Bombeiros Municipais.
E foram muitos os interessados. Mais de sete dezenas de pessoas encheram um autocarro e obrigaram ao uso de carros particulares para cumprirem um périplo que, como explicou ao Diário de Coimbra Regina Rocha, secretária da direcção do GAAC, "pretende recuperar e manter viva uma das mais bonitas tradições natalícias da cidade", perdida na altura da extinção das ordens religiosas, no século XIX.
Os curiosos foram conhecer e confirmar a beleza das imagens dos vários presépios, mas também ouvir o Grupo Folclórico de Coimbra entoar alguns cânticos. Verdadeiras orações ao Menino que, como é tradição em algumas casas, é colocado no presépio na noite de Natal, juntando-se à Virgem Maria, a S. José, ao burro e à vaca, aos pastores e a muitas outras figuras que, em maior ou menor número, completam a história do nascimento de Jesus.
Igreja de Santa Cruz encheu
Se no ano passado as obras em Santa Cruz impediram a entrada na igreja, este ano acabou por ser um dos momentos mais altos da visita. Aos muitos participantes juntaram-se curiosos e turistas que, para além dos cânticos do Grupo Folclórico de Coimbra, ouviram explicações sobre as tradições do Natal e a história do presépio, acabando por encher o Panteão Nacional. "Um momento especial", confessou Regina Rocha.
Os visitantes inciaram o percurso na Sé Nova - onde permanece um dos mais "notáveis" presépios da cidade -, tendo-se seguido as igrejas do Carmo e de Santo António dos Olivais, a Casa da Cultura (onde está patente uma mostra de mais de cem presépios, da colecção da autarquia, oferecidos pelos mais prestigiados artesãos nacionais), terminando no quartel dos Bombeiros Municipais, sempre ao som dos cânticos de Natal do Grupo Folclórico de Coimbra.
O GAAC está empenhado em não deixar morrer esta tradição de Coimbra, contando sempre com a colaboração do Grupo Folclórico de Coimbra. A avaliar pela participação de ontem, o êxito de novas iniciativas estará garantido, faltando apenas cativar os mais jovens – mais habituados às árvores, bolas, laços e aos pais natais – a conhecerem de perto a beleza do presépio.
"Os participantes tinham, em média, mais de 40 anos", constata Regina Rocha, como que deixando o convite aos mais novos para participarem, em próximas edições, nesta verdadeira “viagem” pelo verdadeiro símbolo português do Natal.
Ana Margalho | SNPC
in Diário de Coimbra (30.12.2007)
Publicado em 31.12.2007
Topo | Voltar | Enviar | Imprimir
![]()
