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Concerto de órgão na apresentação do livro “Restauro Filológico. Órgão Manuel de Sá Couto”

No próximo dia 4 de outubro realiza-se, na igreja de S. Paulo, situada no Largo de S. Paulo, em Braga, às 21h30, a apresentação do livro Restauro Filológico. Órgão Manuel de Sá Couto, da autoria do padre Joaquim Félix de Carvalho.

João Manuel Duque, presidente do Centro Regional de Braga da UCP e investigador do CITER (Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião), apresenta-o numa sessão pública que contempla um concerto de órgão.

André Bandeira, organista convidado, interpreta composições de Heinrich Scheidemann e Samuel Scheidt, além do Versus “Veni Creator Spiritus”, em prática alternada: Schola do Seminário Conciliar e órgão.

Tomam, também, lugar à mesa Joaquim Félix de Carvalho e Domingos Peixoto, que escreveu o Prefácio.

Esta iniciativa ocorre precisamente no 1.º aniversário do concerto inaugural do restauro do órgão construído, em 1832, por Manuel de Sá Couto para a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, uma das irmandades da igreja do Colégio de S. Paulo; restauro realizado por Giovanni Pradella Bottega Organara, da Itália, e concerto que contou com as improvisações de Sietze De Vries, da Holanda.

 

Competente trabalho ‘filológico’, uma publicação exemplar

O Prefácio do livro é da autoria de Domingos Peixoto, que nos últimos anos tem publicado livros sobre órgãos históricos, inclusive sobre o restauro de alguns deles, a prática musical, o ensino do órgão no Conservatório Nacional e o movimento organístico em Portugal. Em breve síntese, recordemos que Domingos Peixoto é titular do Curso Superior de Piano, dos Cursos de Órgão dos Conservatórios de Lisboa e Lyon e do Curso Superior de Órgão da ‘Schola Cantorum’ de Paris, enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Estudou ainda no Centro de Estudos Gregorianos, na Escola César Franck de Paris e no Instituto Pontifício de Música Sacra, em Roma. Teve, como principais mestres, Antoine Sibertin-Blanc, Louis Robilliard, Jean Langlais e Édouard Souberbielle. Tem ainda os cursos de Licenciatura em Filosofia (Universidade Católica Portuguesa) e Mestrados em Teologia (Paris - Centre Sèvres) e em Ciências Musicais (Universidade de Coimbra). Lecionou em diversos Conser­vatórios do país; na Universidade de Aveiro (Curso de Licenciatura em Ensino de Música) foi o docente responsável pela cadeira de Órgão entre 1994 e 2010. É autor de vários livros: Santa Casa da Misericórdia de Aveiro - Prática Musical (1998); A propósito do restauro do órgão da Misericórdia de Aveiro (coord., 2003); Júlia d’Almendra e o movimento organístico em Portugal, 2017; Apontamento sobe o Curso de Órgão do Conservatório Nacional, 2017; Os Órgãos históricos da cidade de Aveiro, no prelo. Escreveu, ainda, vários artigos, publicados nomeadamente em jornais e boletins, e é coordenador de projetos editoriais; uns e outros relacionados com a temática do órgão e da música em Portugal.



Imagem Domingos Peixoto | D.R.


No Prefácio do livro que vai ser apresentado, além de considerações sobre a evolução do órgão ibérico e particulares competências do organista na liturgia, Domingos Peixoto exalta o alcance científico que a perspetiva filológica permitiu atingir: «Após uma vista de relance sobre a investigação documental referente à irmandade que mandou construir o órgão (a da Senhora da Boa Morte), detive-me na reprodução fotográfica e respetiva transcrição de vários pedaços de papel, considerados inúteis, e aproveitados habitualmente pelos organeiros na vedação do fole, do someiro e das tampas dos tubos; estes fragmentos tinham sido cuidadosamente reco­lhidos pelo organeiro Giovanni Pradella na desmontagem do instrumento. Comecei a lê-los um a um e fui verificando que, de facto, o autor do presente livro fixou neles um olhar filológico e fez uma rigorosa análise paleográfica e comparativa, identificando jornais da época, apontamentos, emissor e desti­natário de cartas fragmentadas, pessoas relacionadas com este e outros órgãos nortenhos, bem como a caligrafia e a assinatura do próprio Sá Couto. Deste cuidadoso trabalho de transcrição e estudo, fazendo as possíveis correlações, resultou o alargamento do conhecimento biográfico do organeiro, com informações até agora desconhecidas, e ainda a confirmação de hipóteses anteriormente aventadas e, igualmente, dos dados recolhidos no arquivo do Museu Pio xii, relativos à irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte. Ou seja, um competente trabalho ‘filológico’ dos ‘papéis inúteis’ conduziu-nos ao que de mais ‘útil’ procuramos no estudo de um instrumento histórico: a confir­mação da identificação do seu autor, data e demais elementos ligados à construção.» (Prefácio, p.9).

Prosseguindo na mesma linha, Domingos Peixoto detém-se na multidisciplinaridade que deveria estar presente no restauro de órgãos históricos e, de forma fundamentada, apresenta esta publicação como paradigmática: «Sendo a organaria um trabalho complexo e multidisciplinar, o restauro de um órgão histórico requer sempre uma aliança entre o investigador e o artesão, pois os documentos fornecem-nos uma determinada informação e, por seu turno, as próprias peças também falam por si, através dos materiais utilizados, medidas e técnicas de tratamento e marcas diversas, deixando geralmente percetível a herança profissional numa relação mestre - discípulo. Estas duas linhas orientadoras são complementares e devem estar conformes, uma vez que são faces da mesma moeda. Assim acontece nesta monografia, onde o autor, depois de indicar a fundamentação deste restauro, nos dá uma infor­mação completa e segura, juntando as duas investigações, a documental e a técnica, esta última fornecida pelo organeiro Giovanni Pradella: por um lado, o referido estudo e análise dos documentos do arquivo e dos papéis encon­trados no interior do órgão e, por outro, o relatório técnico do restauro com os critérios da intervenção, seguindo-se uma descrição detalhada de cada um dos elementos — caixa, mecânicas, someiro, tubaria e sistema de vento — acompanhada de abundante documentação fotográfica das várias fases dos trabalhos. Enfim, uma publicação exemplar, um caminho a seguir em futuros estudos sobre outros instrumentos — e são muitos — tanto em Braga, como noutras partes do país.» (Prefácio, p.10).

 

Concerto com o organista André Bandeira e a Schola Cantorum do Seminário

André Bandeira, que fez parte com Paulo Alvim da Comissão Técnica que acompanhou o restauro do órgão, verificou a primeira parte do livro, relativa aos aspetos técnicos da descrição do instrumento. É o organista convidado para o concerto. Iniciou a sua formação no Curso de Música Sacra da Diocese do Porto, onde estudou Órgão com Rosa Amorim e, mais tarde, com Paulo Alvim no Conservatório de Música do Porto. Em 2008, concluiu a Licenciatura em Música da Universidade de Aveiro, onde estudou Órgão sob orientação de Domingos Peixoto e, posteriormente, com Edite Rocha, terminando com a classificação máxima a disciplina de Órgão. Em 2013, concluiu o Mestrado em Performance dedicado à obra para órgão de Flor Peeters, com classificação máxima no Recital Final. Teve também oportunidade de fazer Masterclasses de Órgão com reputados organistas internacionais.



Imagem André Bandeira | D.R.


Como solista tem realizado concertos por todo o país. Lecionou no Conservatório Regional de Música de Viseu e no Conservatório de Música de Aveiro. É professor de Órgão, Acompanhamento e Improvisação no Seminário Conciliar de Braga e no Conservatório de Música do Porto. É organista na Igreja de Cedofeita (Porto).

 

Sietze de Vries: a perfeição está nos detalhes

Sietze De Vries, que teve a dita de inaugurar o restauro do órgão, escreveu também uma Nota que foi incorporada no livro: sobre a hospitalidade que tem experimentado no Seminário Conciliar, os dois concertos que nele proporcionou e, nomeadamente, sobre as potencialidades do órgão restaurado e a qualidade do trabalho praticado pela Giovanni Pradella Bottega Organara. Transcrevemos a seguinte passagem, a fim de despertar o interesse dos leitores para lê-la na íntegra: «Gostei bastante deste órgão. A sua bela sonoridade e toque refinado foram inspiradores. O organeiro Giovanni Pradella é a prova viva do ditado: a perfeição está nos detalhes. Embora seja um órgão pequeno, cada tubo tem grande qualidade e caráter, o que permite a utilização de uma vasta gama de diferentes cores. Todo o espaço é facilmente preenchido com a intensidade do som. Pode ser uma tarefa bastante difícil encontrar uma variedade de literatura que possa ser tocada neste órgão, mas, como muitos instrumentos antigos, foi feito para improvisar. E, nesse aspeto, tem muito a oferecer. Junto com os outros órgãos no Seminário, este instrumento é prova de qualidade e perfeição. Também serve a liturgia, que é a tarefa mais importante. Que ele permita elevar os espíritos das pessoas por muitos e bons anos.» (Sietze de Vries, Organist Martinikerk Groningen, NL, p.187).



Imagem Sietze de Vries, Giovanni Pradella | D.R.


Recordemos que Sietze de Vries tem-se afirmado como concertista e organista litúrgico de renome internacional. Estudou com Wim van Beek (Órgão), Jos van der Kooy (Órgão e Improvisação) e Jan Jongepier (Improvisação), obtendo o Diploma Superior de Órgão e o Diploma Holandês de Profissional de Música Sacra com especialização em Improvisação. Conquistou 15 primeiros prémios em concursos de Órgão nacionais e internacionais, alguns deles ainda enquanto estudante nos Conservatórios de Groningen e Haia. Destes destaca-se o 1.º Prémio do Concurso Internacional de Improvisação de Haarlem - 2002, onde já tinha sido finalista nas duas edições anteriores.

Sietze exerce uma carreira muito intensa como concertista, tocando frequentemente por toda a Europa, bem como nos Estados Unidos, Canadá, Rússia, África do Sul e Austrália. É ainda muito requisitado para lecionar Improvisação, sendo Professor no Conservatório de Groningen, Professor convidado na Southern University in Collegedale TN (USA), na McGill Summer Organ Academy in Montreal (Canadá) e no Sydney Conservatory Organ Academy (Australia). Em setembro de 2017 foi nomeado organista da Wijkgemeente Martinikerk em Groningen.

Para além de concertista e professor de órgão, Sietze de Vries é frequentemente convidado para liderar visitas internacionais a órgãos históricos, realizar conferências, masterclasses e elaborar programas acerca do órgão para crianças. Publica regularmente artigos em revistas internacionais relacionados com a música sacra, improvisação e organaria, é ainda editor de artigos para a revista holandesa ‘Het Orgel’.

 

Relançamento da Coleção Memorabilia Christiana

Editado em parceria pela Faculdade de Teologia e pelo Seminário Conciliar de Braga, esta obra foi integrada na Memorabilia Christiana, que é uma coleção da Faculdade de Teologia da Uni­versidade Católica Portuguesa, editada em Braga. Com a nova integração pretende-se relançar esta coleção, cujo projeto se conserva pertinente: «O projeto de contribuir para fazer memória do que é digno de ser narrado no âmbito do Cristianismo — das suas raízes, dos seus desenvolvimentos, dos seus frutos —, particularmente do nosso meio, não é um projeto passadista. Conhecer as sementes e os caminhos que estão na origem do nosso presente é a melhor garantia de sabermos estar, com a nossa própria identidade, de um modo sempre novo, nos grandes desafios da História. As luzes e as sombras, os grandes nomes e as gentes sem história — tudo as­sumido coincidentemente como constitutivo da nossa identidade — ajudarão a prosseguir, com serenidade, na construção de uma História de serviço ao Homem. Esta coleção publica trabalhos de investigação em temas relativos à História do Cristianismo em Portugal. Visa contribuir para o conhecimento das raízes cristãs da nossa identidade» (sumário de apresentação da coleção).

Com mais de trezentas páginas, cem delas com fotografias dos trabalhos executados em Itália, na Giovanni Pradella Bottega Organara, e documentos relativos aos dois órgãos das Irmandades da igreja do Colégio de S. Paulo, esta obra possui muitos outros aspetos que serão apresentados no dia 4 de outubro. Eis porque não faltarão motivos para participar, tanto na sua Apresentação, quanto no Concerto no órgão Manuel de Sá Couto.



Imagem Joaquim Félix de Carvalho | D.R.


Post Scriptum: Sugere-se, para quem assim o entender, que aprecie ao som de uma improvisação no órgão restaurado (Variações sobre o cântico “Como o veado anseia” de M. Luís; Sietze De Vries & Schola Cantorum do Seminário Conciliar; Concerto inaugural do restauro do órgão Manuel de Sá Couto, da igreja de S. Paulo, Braga; 4.10.2017), o "slideshow" das imagens, nomeadamente de uma seleção de fragmentos manuscritos que, juntamente com outros, cerca de 30, foram editados e objeto de estudo no livro do qual se vai fazer a apresentação.












 

Seminário Conciliar de Braga
Imagem de topo: Capa do livro (det.) | D.R.
Publicado em 13.10.2018

 

 
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