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Cultura em Portugal «não conta», diz Ruy de Carvalho

Ruy de Carvalho considera que em Portugal o poder da representanção é fraco e critica a distribuição dos recursos financeiros por parte do Estado: «Há pouco teatro. A cultura em Portugal está um bocadinho abandonada, é uma coisa que não conta».

A afirmação do ator de 91 anos e 76 de carreira foi proferida em entrevista à Agência Ecclesia e Renascença, em parceria com o Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura (ver em baixo), no contexto da 14.ª edição do prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes, que vai receber este sábado, em Fátima, em sessão aberta ao público.

A distinção, que será atribuída no final da 14.ª Jornada Nacional da Pastoral da Cultura, dedicada ao tema “Desporto - Virtudes e riscos”, consiste na escultura “Árvore da Vida”, concebida por Alberto Carneiro, e uma dotação financeira de 2500 €, verba oferecida com o patrocínio da Renascença.

«A cultura é a arca do tesouro de um povo. Quem tiver uma grande arquitetura, uma grande escultura, uma grande pintura, um bom teatro, uma boa música, grandes artistas, intérpretes, tudo isso é uma grande riqueza que o povo tem. E essa riqueza é fundamental», assinala.



Nas sete décadas como ator fez cinema e televisão, mas o seu «coração» está no teatro. Fala da «revista», género «que está um bocadinho abandonado, infelizmente», uma forma de «fazer conhecer muita coisa» e também de satirizar, porque «os politicos estão a precisar que os critiquem, muito, bastante»



Para Ruy de Carvalho, Portugal está muito virado «para coisas que não deixam o homem raciocinar e pôr em prática aquilo que aprende na escola»: «Aprendem-se coisas que depois é preciso pôr em prática, precisamos de ter um sentido crítico construtivo, temos de saber viver com os nossos semelhantes e temos que saber, sobretudo, viver em liberdade, que é muito difícil e exige uma coisa muito importante que é respeito por tudo o que é nosso, não só as coisas imateriais, como as materiais».

«Em Portugal viver em liberdade ainda não é uma vivência completa, ainda há muita libertinagem, e temos factos evidentes, e coisas que aconteceram há pouco tempo, que mostram que há libertinagem, e não liberdade. A liberdade é uma coisa muito bonita que se resolve com diálogo», aponta.

Depois de defender que a «experiência» dos atores mais velhos tem muito a ganhar com as ideias e «o caos» trazido pelas novas gerações, Ruy de Carvalho elogia a entrega da juventude à representação: «Neste momento estou a trabalhar com jovens que têm muito talento, muita qualidade. E isso dá-me uma grande alegria porque quando eu partir (...) há quem continue o teatro em Portugal. E espero que os que mandam continuem a apoiar a cultura».

Nas sete décadas como ator fez cinema e televisão, mas o seu «coração» está no teatro, onde sente o «calor» do público, as palmas que são «recompensa». Fala da «revista», género «que está um bocadinho abandonado, infelizmente», uma forma de «fazer conhecer muita coisa» e também de satirizar, porque «os politicos estão a precisar que os critiquem, muito, bastante».



Já fez de “Rei Lear” (Shakespeare), papel que o marcou, mas falta-lhe ser «palhaço» em palco, o palco que é «um bicho»: «Entra em nós e nunca mais nos larga»



Um ator vive da memória – Ruy de Carvalho sente que decorar os textos, com a idade que tem, é uma tarefa mais demorada que antes –, mas «sobretudo do respeito que tem por aquilo que vai dizer como ator», na fidelidade aos autores, dos quais destaca José Cardoso Pires, «escritor que merecia o prémio Nobel».

Já fez de “Rei Lear” (Shakespeare), papel que o marcou, mas falta-lhe ser «palhaço» em palco, o palco que é «um bicho»: «Entra em nós e nunca mais nos larga até ao fim da vida. E quando nos larga é porque nos mandaram para casa. Mas sempre com vontade de viver nele».

«Há meio século que a mesma energia interpretativa e comunicativa de Ruy de Carvalho se manifesta no teatro radiofónico e nas telenovelas e séries televisivas, completando uma lição de fecunda longevidade ao serviço do enriquecimento lúdico-cultural de sucessivas gerações de cidadãos portugueses», destaca a ata de atribuição do prémio Árvore da Vida – Padre Manuel Antunes.








 

Entrevista: Lígia Silveira/Agência Ecclesia, Maria João Costa/Renascença
Imagem vídeo: Joana Bougard, Armando Merino
Edição: SNPC
Imagem: Ruy de Carvalho | D.R.
Publicado em 11.06.2018

 

 
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