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Dar tudo

A generosidade como capacidade de se compadecer e prestar auxílio é uma das marcas mais nobres que caracterizam o espírito humano. Dar sem medida. Dar por amor. Dar em liberdade. Dar-se a si mesmo aos que solicitam ajuda. Dar numa atitude de total confiança. Dar é mais do que um simples gesto. É sobretudo um compromisso que nasce de um coração capaz de amar.

Há, no entanto, motivações que contaminam as nossas dádivas, tornando-as remendos precários da verdadeira dádiva. Dar por medo de represália; dar por vaidade, por vanglória; dar para atenuar um sentimento de culpa; dar como armadilha manipuladora; dar do que não nos faz falta, o que é caduco e sem valor… São formas pobres de dar. Revelam um coração pouco livre e um olhar mesquinho.

No Templo, em Jerusalém, junto à arca do tesouro, Jesus configura o olhar dos discípulos. Pede-lhes que observem a partir do olhar divino, que vejam para além das aparências, que não se iludam com o espetáculo mediático que, a cada instante, os ricos proporcionam para gáudio geral.

A viúva oferece tudo a «fundo perdido» e confia a sua subsistência a Deus. Se os escribas se aproveitavam da condição de Mestres da Palavra para explorar os pobres e indefesos, uma atitude que Jesus condena veementemente, os segundos, representados na pessoa da viúva, são tidos como exemplo de fé e de confiança em Deus, a referência que os discípulos devem contemplar e imitar.

O bom discípulo é aquele que dá tudo a Deus. Não é um estratega calculista que, motivado pela avareza, retém para si e serve-se do nome de Deus e do ofício religioso para autopromoção. Na verdade, a história tem-no demonstrado por diversas vezes, quando a estrutura religiosa está associada ao poder temporal, facilmente os seus agentes, em especial os dirigentes, os novos escribas, corrompidos pelo espírito do mundo, perdem a autoridade diante dos pobres e dos humildes. Deixam de ser servos. Passam a ser senhores poderosos, oficiais distantes, funcionários frios. Não são discípulos do Mestre Misericordioso da Galileia, mas burocratas na sua própria empresa. Ser como o escriba ou ser como a viúva na relação com Deus? O Senhor desafia-nos hoje a optar por um modo de vida que se assemelha ao da viúva.


 

P. Nélio Pita, CM
Imagem: "O óbolo da viúva" (det.) | João Zeferino da Costa | 1876 | Museu Nacioal de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil
Publicado em 09.11.2018

 

 
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