Pedras angulares
Santo Agostinho

Bem-aventurados aqueles que não viram e acreditaram

Fraco seria o mérito dos crentes, pouco gloriosa a beatitude, se o Senhor se mostrasse sempre aos nossos olhos da carne com o seu corpo ressuscitado. Por isso o maior dom que o Espírto Santo deu àqueles que deviam acreditar foi o de os fazer aspirar (…) Àquele que não podiam ver com os olhos do corpo. Eis o que explica que o discípulo, que declarou não se convencer antes de ter tocado com as mãos nas suas cicatrizes, mal tenha tido tempo para, como que despertado pelo Corpo do Salvador, exclamar: Meu Senhor e meu Deus, que já o Mestre lhe dizia: Porque não viste, acreditaste; bem-aventurados aqueles que não viram e acreditaram.

Esta ventura de acreditar sem ver, não a teríamos tido se não a tivéssemos recebido do Espírito Santo; foi exactamente o que o Mestre disse: A vós convém que eu vá, porque, se eu não for, não virá a vós o Consolador; mas, se eu for, eu vo-lo enviarei. Pela sua divindade Cristo está, sem dúvida, sempre junto de nós, mas se não tivesse desaparecido corporalmente a nossos olhos, os nossos olhos contemplá-lo-iam corporalmente e nunca teríamos acreditado espiritualmente: é por esta fé, princípio da nossa justificação e da nossa glorificação, que mereceremos contemplar um dia, com o coração purificado, o próprio Verbo, Deus em Deus, Aquele por quem tudo foi feito e que se fez carne para habitar entre nós… A fé que conduz à justiça não é a que se obtém pelo tocar com a mão, mas pela fé dos nossos corações.

Santo Agostinho

Sermão 143, 3

28.03.2008

 

 

Topo | Voltar | Enviar | Imprimir

 

 

barra rodapé

Imagem
Incredulidade de S. Tomé
Diogo Teixeira (c. 1595-1597)
Museu de Arte Sacra do
Mosteiro de Santa Mafalda, Arouca
Edição mais recente do ObservatórioOutras edições do Observatório
Edição recente do Prémio de Cultura Padre Manuel AntunesOutras edições do Prémio de Cultura Padre Manuel Antunes
Quem somos
Página de entrada