
Bem-aventurados aqueles que não viram e acreditaram
Fraco seria o mérito dos crentes, pouco gloriosa a beatitude, se o Senhor se mostrasse sempre aos nossos olhos da carne com o seu corpo ressuscitado. Por isso o maior dom que o Espírto Santo deu àqueles que deviam acreditar foi o de os fazer aspirar (…) Àquele que não podiam ver com os olhos do corpo. Eis o que explica que o discípulo, que declarou não se convencer antes de ter tocado com as mãos nas suas cicatrizes, mal tenha tido tempo para, como que despertado pelo Corpo do Salvador, exclamar: Meu Senhor e meu Deus, que já o Mestre lhe dizia: Porque não viste, acreditaste; bem-aventurados aqueles que não viram e acreditaram.
Esta ventura de acreditar sem ver, não a teríamos tido se não a tivéssemos recebido do Espírito Santo; foi exactamente o que o Mestre disse: A vós convém que eu vá, porque, se eu não for, não virá a vós o Consolador; mas, se eu for, eu vo-lo enviarei. Pela sua divindade Cristo está, sem dúvida, sempre junto de nós, mas se não tivesse desaparecido corporalmente a nossos olhos, os nossos olhos contemplá-lo-iam corporalmente e nunca teríamos acreditado espiritualmente: é por esta fé, princípio da nossa justificação e da nossa glorificação, que mereceremos contemplar um dia, com o coração purificado, o próprio Verbo, Deus em Deus, Aquele por quem tudo foi feito e que se fez carne para habitar entre nós… A fé que conduz à justiça não é a que se obtém pelo tocar com a mão, mas pela fé dos nossos corações.
Santo Agostinho
Sermão 143, 3
28.03.2008
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