Pedras angulares
S. João Crisóstomo

Reza sempre em todo o tempo e lugar

Quando digo a alguém: pedi a Deus, conjurai-o, suplicai-lhe; respondem-me: “Pedi-lhe uma vez, duas vezes, três vezes, dez vezes, vinte vezes e nunca recebi nada”. Meu irmão, não deixes de rezar, até que tenhas recebido; o fim da oração é o dom que se pediu. Quando o tiveres recebido cessa, ou antes, não cesses, mesmo nessa ocasião persevera ainda. Se nada recebeste, pede para receberes; se recebeste, dá graças por aquilo que recebeste.

Uma multidão entra numa igreja, recita milhares de versículos à guisa de oração e vai-se embora, não duvidando do que disse; são os lábios que se mexem, o coração não os ouviu. Como? Se tu próprio não ouves a tua oração, como queres que Deus a ouça? Dobraste os joelhos, dizes-me, mas o teu pensamento estava longe; o teu corpo estava na igreja, mas o teu espírito na cidade; a tua boca recitava as orações, mas o pensamento sopesava argumentos de dinheiro, ocupava-se em contratos, trocas, terrenos, domínios a adquirir, reuniões com os amigos. O demónio é hábil; sabe que é a oração o que mais favorece o nosso progresso; por isso a escolhe para cair a fundo sobre nós... Mesmo que estejas fora da Igreja, diz e clama: “Tem piedade de mim!” Não te contentes com mover os lábios; grita com o pensamento; mesmo aqueles que se calam são ouvidos por Deus. Não é o lugar que importa... Tomas banho, reza; em viagem, na tua cama, em qualquer sítio que estejas, reza! És o templo de Deus; não te preocupes com o sítio; só a intenção é necessária...

 

Nota histórica sobre S. João Crisóstomo

Bispo e doutor da Igreja, nasceu em Antioquia, cerca do ano 349. Depois de ter recebido uma excelente educação, dedicou se à vida ascética; e, tendo sido ordenado sacerdote, consagrou se com grande fruto ao ministério da pregação. Eleito bispo de Constantinopla no ano 397, revelou grande zelo e competência nesse cargo pastoral, atendendo em particular à reforma dos costumes, tanto do clero como dos fiéis. A oposição da corte imperial e de outros inimigos pessoais levou o por duas vezes ao exílio. Perseguido por tantas tribulações, morreu em Comana (Ponto, Ásia Menor) no dia 14 de Setembro do ano 407. A sua notável diligência e competência na arte de falar e escrever, para expor a doutrina católica e formar os fiéis na vida cristã, mereceu lhe o apelativo de Crisóstomo, «boca de ouro». A Memória celebra-se a 13 de Setembro.

 

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Secretariado Nacional de Liturgia (nota histórica)

07.08.2008

 

 

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