
D. Albino Cleto e D. Manuel Felício avaliam e perspectivam a Pastoral da Cultura
Duas brevíssimas entrevistas a D. Manuel Felício e D. Albino Cleto, no termo do triénio em que fizeram parte da Comissão Episcopal da Cultura, Bens Culturais e Comunicações Sociais.
D. Albino Cleto, que balanço faz da Pastoral da Cultura neste triénio que agora terminou e que desafios se podem esperar para os próximos três anos?
Em relação ao triénio anterior considero que na área da cultura demos bons passos, como a instituição do Prémio Padre Manuel Antunes, o diálogo sobre determinados temas, como o tempo livre. Foi um bom começo. Daí que para este próximo triénio estou a aguardar o que o Presidente da Comissão nos vai propor, assim como o respectivo Secretariado. É meu intento ajudar no sentido de ampliarmos os contactos de nível superior. Com este horizonte já fico satisfeito.
O que é que a Igreja pode oferecer à cultura portuguesa?
Aquilo que é o Evangelho. Porque sendo o Evangelho de nível superior, ele é o melhor código de humanismo que eu conheço.
D. Manuel Felício, que avaliação faz da Pastoral da Cultura e que perspectivas lança para os próximos três anos?
Eu faço um balanço muito positivo porque o programa para este triénio levou-nos a questões muito importantes que implicam com a vida diária do nosso povo, principalmente em aspectos que podem parecer marginais mas que estão dentro da preocupação das pessoas, como são as questões do lazer, dos tempos livres, que é onde cada um tem oportunidade de tomar as suas decisões e de programar a sua vida. Estas questões ocupam cada vez mais o tempo das pessoas, e por isso temos que as valorizar e ensinar a valorizar, para que através delas se possa aprofundar a identidade individual.
Também faço um balanço positivo pela metodologia utilizada, que é a de criar redes que se localizam em cada uma das dioceses. E também o aproveitamento bastante bom da rede do site próprio da Pastoral da Cultura, que nos colocou rapidamente uns em contacto com os outros. Também a publicação que se fez com regularidade ajudou, porque scripta manent, as coisas por escrito fixam-se, pelo que esse foi um bom instrumento.
Apesar de em princípio eu não prosseguir nesta Comissão Episcopal porque tenho agora outras responsabilidades, as perspectivas que se adivinham são muito positivas. Por exemplo, estudar o tema da identidade de Portugal, numa altura em que celebramos acontecimentos da máxima importância para a história, como é o centenário da República, a dois anos de distância, pode ser uma boa oportunidade para reflectirmos aspectos importantes da nossa tradição, da nossa cultura, da nossa maneira de ser, que nos ajudam a ir mais ao coração da nossa identidade. Isso é sempre positivo para qualquer cultura, e certamente também o será para nós.
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© SNPC | 09.04.2008
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