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Salva-se o capital e deixam-se pessoas sem trabalho», denuncia papa, que adverte para a "perdição" da riqueza não distribuída

«Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras. (...) Condenastes e matastes o justo e ele não vos resiste»: a dura admoestação aos ricos extraída da carta de S. Tiago (5, 1-6), proclamada nas missas desta quinta-feira, inspirou a homilia que o papa proferiu hoje na Eucaristia a que presidiu, no Vaticano.

«"Ai de vós, ricos!", é a primeira invetiva depois das Bem-aventuranças na versão do Evangelho segundo Lucas. "Ai de vós, ricos!" Se alguém fizesse hoje uma pregação assim, nos jornais do dia seguinte dir-se-ia: "Aquele padre é comunista!", afirmou Francisco, salientando que o apóstolo Tiago, «que fala sob a inspiração do Espírito Santo», pode parecer um «sindicalista», mas não o é.

O papa reiterou que «a pobreza está no centro do Evangelho»: «"Bem-aventurados os pobres" é a primeira das Bem-aventuranças. E o bilhete de identidade com que Jesus se apresenta quando regressa à sua povoação, a Nazaré, na sinagoga, é: "O Espírito está sobre mim, fui enviado a anunciar o Evangelho, a Boa Nova, aos pobres, o feliz anúncio aos pobres"».

«Mas sempre tivemos, na história, esta fraqueza de procurar eliminar esta pregação sobre a pobreza, acreditando que é uma coisa social, política. Não! É Evangelho puro, é Evangelho puro», frisou.

Francisco propôs uma explicação para a pregação «tão dura» de S. Tiago, que diz aos ricos: «O vosso ouro e a vossa prata enferrujaram-se e a sua ferrugem vai dar testemunho contra vós e devorar a vossa carne como fogo».



«Ai de vós, que explorais as pessoas, que explorais o trabalho, que pagais sem as contribuições ao Estado, que não pagais o contributo para a reforma, que não dais férias. Ai de vós! Fazer "descontos", cometer fraudes sobre aquilo que se deve pagar, sobre o estipêndio, é pecado, é pecado»



A razão, para o papa, está no facto de as riquezas serem uma «idolatria», como o próprio Jesus alertou ao afirmar que «não se podem servir dois senhores: ou se serve Deus ou se servem as riquezas»; quem opta por abraçar o dinheiro vai «contra o primeiro mandamento», amar a Deus com todo o coração, sobre todas a coisas.

Ao recordar a parábola do rico, que por ter o coração apegado à «boa vida» ignorava a miséria do pobre Lázaro que jazia do lado de fora das suas festas luxuosas, Francisco acentua que as riquezas distanciam da «harmonia com os irmãos, do amor ao próximo», promovem o «egoísmo» e «arruínam a vida» e a «alma».

«Também aqui, em Itália, para salvar os grandes capitais deixam-se as pessoas sem trabalho», apontou o papa, que à imagem de S. Tiago a avisar os ricos, advertiu quem ganha dinheiro com esquemas ilegais.

«Ai de vós, que explorais as pessoas, que explorais o trabalho, que pagais sem as contribuições ao Estado, que não pagais o contributo para a reforma, que não dais férias. Ai de vós! Fazer "descontos", cometer fraudes sobre aquilo que se deve pagar, sobre o estipêndio, é pecado, é pecado», vincou.

A intervenção de Francisco também não poupou a hipocrisia: «"Não, padre, eu vou à missa todos os domingos e vou àquela associação católica e sou muito católico e faço a novena...". Mas tu não pagas? Essa injustiça é pecado mortal. Não estás na graça de Deus. Não sou eu que te digo, diz Jesus, diz o apóstolo Tiago. Por isso as riquezas afastam-te do segundo mandamento, do amor ao próximo».

Dado que a riqueza escraviza, o papa insistiu no pedido de «fazer um pouco mais de oração e um pouco mais de penitência» pelos ricos: «Tu não és livre perante as riquezas».

«Se o Senhor te deu riquezas, é para as dares aos outros, para fazer em seu nome muitas coisas de bem para os outros. Mas as riquezas têm essa capacidade de nos seduzir, e nós caímos nessa sedução, somos escravos das riquezas», declarou.

Francisco recordou o «nobre povo chinês» no dia em que se celebra, em Xangai, a festa da Senhora de Sheshan, Maria Auxiliadora.


 

SNPC
Fonte: Vatican News
Imagem: Leandro Bassano
Publicado em 24.05.2018

 

 
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