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Leitura

Jesus Cristo em Lisboa

Com a amável colaboração da Assírio & Alvim, transcrevemos o primeiro dos sete quadros da obra “Jesus Cristo em Lisboa”, de Raul Brandão e Teixeira de Pascoaes.

A tragicomédia foi originalmente editada em finais de 1927, princípios de 1928, tendo sido o primeiro livro publicado por Pascoaes durante a sua estada em Lisboa.

Além do posfácio, esta edição inclui excertos de algumas reacções que o texto suscitou à altura da sua primeira publicação. As críticas estiveram longe da unanimidade – do aplauso até à suspeita de heresia ou, pelo menos, de heterodoxia. Incluímos também neste artigo alguns fragmentos dessas apreciações.

 

PRIMEIRO QUADRO

Na serra. Grande cozinha enegrecida, de telha vã. Pavimento térreo, três degraus, mais baixo que o exterior. O Lar, o lume, os potes, a masseira e o forno. Duas grandes caixas de pão, escuras e puídas. Ao fundo, porta e janela estreita. O Cego está à lareira, hirto, com um pau na mão. A Ama e a Moça tiram o pão do forno. Fim de tarde. Ouve-se malhar na eira.

 

Cego, Ama, Moço e Moça

A Ama:
Vê se anda o sol na eira.

O Moço:
Escondeu-se o sol. Acabou a malha.

O Cego:
O milho não deve ir frio para dentro do alpendre.

A Ama para o Moço:
Vai tu e diz-lhes que tragam o milho ensacado par as caixas.

O Moço:
Sim, senhora Ama. Vai a sair.

A Ama:
Espera. Leva o alqueire e o rasão. Onde puseram o rasão?

O Cego:
Tudo desaparece nesta casa!

A Ama:
Não, pai! Não desaparece nada. O pai é que está sempre desconfiado.

A Moça:
O rasão pô-lo vossemecê em cima do forno, no dia em que mediu o milho para a feira.

A Ama:
Passa-mo para cá. Para o Moço: E tu, anda! Para o Cego: Vossemecê está sempre desconfiado. Se me desse as chaves…

O Cego:
As chaves guardo-as eu. O Moço sai.

A Ama para a Moça:
E tu cobre-me essas broas. Não as deixes ressuar. Põe a mesa. É preciso ir à pipa buscar vinho. Para o Cego: Vossemecê não larga a chave da adega.

O Cego, procurando a chave em todos os bolsos:
Uma chave! Arcas fechadas, salgadeira fechada, tudo fechado! O homem não vence a mulher a meter para dentro com uma pá e ela a deitar para fora com o bico duma agulha. Pareceu-me ontem que o vinho já estava azedo. Quando Deus quiser, deixaste o casco desabatocado.

A Ama:
Não deixei. Para a Moça: Vê se a panela ferve. Mete-lhe as couves. Sai com a infusa.

O Cego, sempre sem se mexer, para a Moça:
E diz-me cá, Moça: o céu está limpo?

A moça:
Estão nubes.

O Cego:
É que este ano andam as trovoadas com a lua. E diz-me cá, moça: a chave está na caixa grande?

A Moça:
Não, senhor.

O Cego:
E diz-me cá, mas fala verdade, que eu não digo nada: a tua Ama tem ido ao pão?

A Moça:
Eu não vi.

A Ama, entrando com a infusa de vinho:
E pões-te a falar e as couves por cozer! E não tardam aí os homens para a ceia!

O Moço, entrando:
O senhor José manda dizer ao Amo que o milho está seco; e recolhido no alpendre o que se malhou hoje.

A Ama:
Bem, que o tragam. E guardaste tu os animais e deste de comer ao gado na corte?

O Moço:
Sim, senhora Ama.

A Ama:
E as ovelhas andaram no Fojo?

O Cego:
Onde pasta o boi e depois o burro, encontra ainda o dente da ovelha que rapar.

O Moço:
Ó Amo, diz que o campo do Fojo já deu três carros de pão?

O Cego:
Sim, quando o Senhor andava pelo mundo.

O Moço:
Ah!

A Moça:
Ó Ama, pois o Senhor já andou pelo mundo?!

A Ama:
Pois andou.

O Cego:
Antão! falavam os animais, como hão-de falar no fim do mundo. Para a filha. As chaves?

A Ama:
Para que quer o senhor pai as chaves?

O Cego:
As chaves devem estar na minha mão.

A Ama:
O pai não vê, o pai está velho. Deixe-se ao canto do lume, que eu governo.

O Cego:
Mas quem manda por ora sou eu.

A Ama:
As chaves não saem da minha mão, que eu tenho muitos anos para viver. O pai tem mais de dois carros.

Entretanto a Moça põe a mesa.

O Cego:
Noventa anos!

A Ama:
Eu sou sua filha. O cego curva a cabeça suspirando. E quem não vê, não pode governar.

O Cego:
Não vejo… não vejo… Sinto tudo. Sei tudo. Sei o que tu não sabes. Ouço todos os passos que se dão na casa. Ouço o gato, de noite, porque não durmo; e, de manhã, o rapaz ao abrir a corte.Ouço os passos da morte, quando o sobrado estala. Os cegos ouvem tudo, vêem tudo. Ouço mexer aquela sombra que além está à porta.

A Ama:
Não está lá ninguém…

A Moça:
Quem está aí?

O Moço, espreitando:
Ninguém.

O Cego:
Ah, isso está!

 

Os mesmos e os Jornaleiros

Anoitece.

Os Jornaleiros entrando:
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

A Ama:
Para sempre seja louvado!

Um Jornaleiro:
Vamos à ceia.

A Ama:
Tira o caldo.

Caldo nas malgas. Abancam. Só o Cego fica na lareira, com a malga pousada nas pernas. O Moço e a Moça sentam-se na extremidade do banco. Comem em silêncio.

A Ama:
Quem falta?

Um Jornaleiro:
Falta os que andam no monte e o José que vai trazer o milhão.

Na mesa passa-se o vinho, passa-se a broa, etc.

O Cego:
Deixem-me ver o grão. Um homem dá-lhe uma mão cheia dele. Está bom, está seco.

Um Jornaleiro:
Com este sol!

O Cego:
Como é bom ouvir cantar o grão, ao cair nas caixas! É como este cheiro a farinha, o cheiro do pão do forno… Não há nenhum que se compara. Regala.

Um Jornaleiro:
O pão está ainda quente.

A Ama:
E ficou bem cozido. Para o Cego, dando-lho a broa, a que ele tira um bocado. Vossemecê não coma tanto, que adoece.

O Cego, cheirando uma côdea e metendo-a no bolso:
Que sombra é aquela que ali está, no cunhal da porta?

A Ama:
Se vossemecê não vê, como teima que esta lá uma sombra!?

Um Jornaleiro:
Não vi ninguém quando entrei.

O Cego:
Sinto fôlego vivo.

A Ama, vendo a sombra:
Ó tio! Ninguém responde. Ó tio, vossemecê não ouve? Diz-lhe lá que se chegue, se quer uma tigela de caldo.

O Cego:
Mas não o deixeis dormir no palheiro.

O Moço:
É um probe de pedir.

A Ama:
Pois que entre.

 

Os mesmos e Jesus Cristo

Jesus entra, embrulhado numa capa de pedinte, com uma sacola e um pau. Não diz palavra. Silêncio.

A Ama, estranhando:
Home! louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!

Os outros todos erguendo-se:
Para sempre seja louvado! Jesus não responde.

A Ama repetindo:
Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Então vossemecê não sabe salvar? Como se salva na sua terra?

Jesus:
Salve-a Deus.

A Ama:
Nosso Deus é Jesus. Com ele queremos viver e morrer. Vamos, sente-se. Para a Moça: Dá-lhe uma malga de caldo.

Jesus senta-se no topo da mesa. Rumor. Passa-se a infusa. Vozes. Mais um bocado de pão, etc.

O Cego:
Pst! Moça, ele como é?

A Moça:
É um probe de Cristo.

O Cego:
Bem sei, mas como é?

A Moça:
É lindo e novo!

Primeiro Jornaleiro:
Tão novo e a pedir! Bem podia trabalhar!

Jesus:
Não peço pão nem dinheiro.

O Cego:
Oh! então que esmola quer vossemecê?

Jesus:
Uma esmola que não vale dinheiro e não há dinheiro que a valha!

A Ama:
Que palavras ele diz!

Jesus:
Digo o que já disse há dois mil anos!

O Cego:
Há dois mil anos! E dizem que sois novo!

Jesus:
Encarnei, como vós. Vesti-me da poeira dos caminhos.

A Moça:
Que voz!

A Ama:
Vossemecê vem de longe?

Jesus:
Vim aqui bater à tua porta…

A Ama:
Mas de onde vem vossemecê!

Jesus:
De além das nuvens… Um Ah! de espanto em todos.

 

Os mesmos e os cavadores

Neste momento entram mais três jornaleiros, pousando as enxadas à entrada da porta, broncos, curvos, de mãos enormes. Encaram com Jesus e ficam surpreendidos.

A Ama:
Só agora?

Primeiro Cavador:
Andei a cavar a vinha.

Segundo Cavador:
Cavei a horta.

Terceiro Cavador:
Cavei o monte, duro como as pedras.

A Ama:
O pão ganha-se a trabalhar.

Jesus:
Nem só de pão vive o homem. O grande mal é os homens viverem só de pão! Vivem como os bichos. Não se lembram de que, se a terra existe, também o céu existe.

Primeiro Jornaleiro:
Sim, a terra existe. Que o diga o ferro desta enxada já desgasta e os calos destas mãos sempre vazias. E mostra as mãos enormes, endurecidas e sujas. A terra existe para nos matar em vida com trabalho e para nos comer depois de mortos.

Jesus:
O céu é a terra que vós deveis cultivar. Os seus frutos não apodrecem. Alimentam as almas.

Os Jornaleiros ouvindo com atenção repetem maquinalmente:
As almas!

Jesus:
A alma é que vive. O corpo não é mais que o seu vestuário.

Primeiro Jornaleiro:
Mas o corpo tem fome de pão e a terra, para o dar, é preciso regá-lo com o suor do rosto.

A Ama:
Que presença! que figura! Não é destas cercanias, com certeza!

Jesus:
Venho de muito longe, de além do mundo:

Os Jornaleiros espantados:
Ah!

Outro Jornaleiro:
Tudo isso é muito bonito, mas só os pobres amargam a vida.

Jornaleiro que foi soldado:
E tudo, rapazes, porquê? Porque Jesus disse um dia a Pedro: - Vai àquela porta e diz ao mundo: - «Os pobres que vivam dos ricos». – Mas Pedro enganou-se e clamou à porta – Os ricos que vivam dos pobres…

A Ama para Jesus:
Além do mundo é como quem diz o outro mundo?

Jesus:
Sim. Venho do outro mundo, que fica mais longe que as estrelas. Os crimes e os pecados dos homens bradaram aos céus, e meu pai enviou-me, outra vez, à terra.

Os Jornaleiros, que se debruçam sobre a mesa para ouvirem melhor:
Ah!

Entretanto a Ama chama o Moço.

O Cego:
Que voz!

Jesus:
Ai dos que têm olhos e não vêem! Encontro, no mundo, a mesma cegueira de outrora, as mesmas trevas.

Primeiro Jornaleiro, que foi soldado:
Anda com o juízo transtornado. É como o tolo de Gondar, que diz que esteve no céu.

A Ama:
Chega aqui ao lado, ao sr. Reitor, e pede-lhe que venha cá!

Jesus:
Ai dos ricos!

Segundo Jornaleiro para Jesus:
Eu cavei toda a vida.

Jesus:
E eu venho cavar as almas, mais bravas e pedregosas do que os montes maninhos.

O Cego para a Moça:
Nunca ouvi uma voz assim! Olha, Moça, como são as estrelas?

A Moça:
Vossemecê bem sabe.

O Cego:
Esqueci-me, e agora pus-me a lembrar das estrelas…

A ansiedade na mesa aumenta. Juntam-se as cabeças para melhor ouvirem Jesus.

A Moça para o Cego:
As estrelas são lindas.

O Cego:
Mas como são?

A Moça:
No céu, no céu, a reluzir.

O Cego:
No céu…

Ama, à porta, espera pelo Reitor.

Um Jornaleiro:
Quando Deus andava pelo mundo…

Jesus:
Como pode andar agora.

Os Jornaleiros:
Ah!

Jesus:
Vim para salvar os que sofrem.

Alguns Jornaleiros com ansiedade:
Mas quem é vossemecê?

Jesus:
Sou aquele que um dia conhecereis.

 

Os mesmos e o Reitor

O Reitor entra, ouve Jesus falar, conservando-se ao lado da Ama que lhe dirige a palavra em voz baixa.

Jesus para os Jornaleiros:
Não se dá um passo na vida, sem se encontrar um pobre, porque se não dá um passo na vida, sem se encontrar Deus, que é o verdadeiro pobre, neste mundo. Deus é o Pobre dos pobres.

Um Jornaleiro:
Deus é um obre?

Jesus:
É um pobre de pedir que às vezes bate à vossa porta.

A Ama para o Reitor:
Que lhe parece deste homem?

O Reitor:
Pode ser um homem perigoso. Sabe falar aos desgraçados.

A Ama:
Ele faça como se fosse um santo. E tem uns olhos, uma expressão na cara tão diferente dos outros homens! E diz que vem de muito longe, duma terra que nunca ouvi alomear.

O Reitor:
Eu vou saber quem ele é.

Jesus aos jornaleiros fascinados:
Esquecer o pobre é esquecer Deus.

Os Jornaleiros:
Ah! Ah!

O Reitor para Jesus:
Ó tio!

A Ama chega-se ao pé do Cego e fala-lhe ao ouvido, enquanto o Reitor se dirige para Jesus. Os jornaleiros transfiguram-se ao escutá-lo. A Moça chega-se mais para Ele.

O Reitor:
Ó tio, vossemecê quem é?

Jesus:
A sombra de Cristo.

O Reitor:
Diga: um pobre de pedir.

Jesus:
Todo o cristão é um pobre de pedir.

O Reitor:
E de onde vem?

Jesus:
Do mundo.

O Reitor:
Mas vossemecê não sabe salvar! Não entrou na nossa igreja, ao passar pela estrada.

Jesus:
Rezei, no caminho, a meu Pai que vê tudo o que se passa e nos dará a paga.

O Reitor:
Já vejo que fala muito e sabe demais. Certas cousas não se fizeram para todos os homens.

A Amar para o Cego:
Não o deixe dormir no palheiro.

O Reitor:
Não gosto das suas palavras. Vossemecê é o pobre soberbo.

Jesus:
Os que acendem a luzerna, não a metem debaixo do alqueire. Sou um homem. Um homem também tu és. Mas um homem deve subir até Deus.

O Reitor:
E um pobre tem de ser humilde. Não fala assim quem aceita, à nossa mesa, uma tigela de caldo. Toda a vida tem havido pobres e ricos. Nos Evangelhos há frases que é preciso saber interpretá-las.

Jesus:
Ai dos ricos! É mais fácil um camelo entrar pelo fundo duma agulha que um rico no reino dos céus!...

O Cego:
Quem não trabalha não junta; quem não junta é pobre; quem é pobre não é honrado.

O Reitor:
Deixemo-nos de mais conversas. Acabe de comer e siga o seu caminho.

Jesus:
Já comi. Deita a sacola às costas.

O Reitor:
Então caminhe, que a estrada é larga.

Um Jornaleiro:
Esta noite queremos ouvi-lo toda a noite.

Outros jornaleiros:
Toda a noite.

A Ama:
Pai, o pobre pode ficar no palheiro?

O Cego:
O palheiro já uma vez os pobres lhe pegaram fogo e ardeu tudo. Fecha o palheiro.

A Ama para Jesus:
Vossemecê ouve?

Jesus:
Ouvi. Fica olhando o padre.

O Reitor para a Ama:
Este homem tem um olhar estranho. Para Jesus: Porque espera?

Jesus:
Espero… Quero dar-te uma palavra. Atrai-o a si, fala-lhe ao ouvido e deixa-o atónito, a encará-lo. Agora vou para o mundo. E dirigindo-se aos outros: Os que me amam, que me sigam; eu lhes ensinarei o caminho.

A Ama para o Reitor:
Que lhe disse?

O Reitor:
O que me disse!...

Os Jornaleiros:
Vamos com ele! Vamos com o pobre! Vamos com ele!

A Ama:
Vossemecês para onde vão?

Todos os jornaleiros querem acompanhá-lo, mas o Reitor, que tem estado absorto, aproveita o momento de indecisão, quando a Ama lhes fala, e põe-se-lhes na frente.

Os Jornaleiros:
Vamos com ele!

Um Jornaleiro:
Que nos falou! O mundo é dos pobres!

Outro Jornaleiro:
Queremos segui-lo!

Todos juntos:
Vamos com ele!

O Reitor:
Nem um passo! E diante do ímpeto para a porta que Jesus transpôs atira-lhes com o escabelo de mesa para as pernas. Ninguém sai! Então, eu baptizo-vos, eu caso-vos, eu acompanho-vos na vida e na morte, a vocês, às vossas mulheres e aos vossos filhos – levo-vos com os olhos fechados, através desta vida, e vocês querem-me deixar por ele?! Sobe os degraus, abre os braços diante do grupo, que estaca na arremetida: Aqui não passa ninguém!

Todos correm à janela e espreitam uns sobre os outros. Só a Ama e o Cego ficam na lareira.

Um Jornaleiro:
Lá vai!

Outro Jornaleiro:
Lá vai no caminho!

Outro Jornaleiro:
Parece uma luz!

Primeiro Jornaleiro, que foi soldado:
O pobre sempre é alguém!

Outro Jornaleiro:
Um clarão, ao fundo da estrada.

O Moço:
Uma estrela! Oh que claridade de estrela como um cravo.

O Reitor, sempre à porta, deixando cair os braços:
Por vossa causa meti talvez a alma no inferno!

 

A RECEPÇÃO DA OBRA - ALGUNS FRAGMENTOS

“Os Srs. Teixeira de Pascoaes e Raul Brandão publicaram uma tragicomédia em 7 quadros, cuja representação foi proibida há tempos pela polícia e que tem o blasfemo título de Jesus Cristo em Lisboa. (…) Desde já ficam, pois, prevenidos os nossos leitores de que o livro dos Srs. Pascoaes e Brandão não deve sem comprado nem lido pelos católicos.” (A Voz, (Lisboa), 24.1.1928)

“Em frases curtas, encerrando, numa primorosa forma literária, belos paradoxos, Jesus, perfil recortado em amor e espírito, aparece no bucolismo da Serra, num gabinte da polícia, na «boite» dum teatro, numa reunião de conselho de Estado, nas naves duma catedral, sempre pregando, em torrentes de luz, a Verdade, severo na condenação justa de certos escândalos e impurezas da sociedade de hoje, arrastando com o sugestivo poder da sua palavra divina os infelizes que o ouvem com admiração.” (O Primeiro de Janeiro (Porto), 5.2.1928)

“- Um Deus em Lisboa, não, não pode ser! que absurdo – exclamam certos personagens no drama, e certamente muitas pessoas fora do drama. A meu ver, o livro não labora em absurdo nenhum. O que nele se conta não é somente possível; aconteceu, dá-se o caso ainda e há-de necessariamente repetir-se.” (P. Fr. Manuel Alves Correia, ofm in Novidades, 11.2.1928).

“Raul Brandão e Teixeira de Pascoaes arrancaram quadros desconsoladores do grande espectáculo constante em que a estupidez e a maldade humana parecem comprazer-se. E, ao pé deles, ergueram a grande figura de Cristo que, para avultar em toda a sua grandeza, em toda a sua sublimidade, precisa do ar desafogado da liberdade, sem a qual não há pão possível nem felicidade imaginável.” (Mayer Garção in O Primeiro de Janeiro, 24.2.1928)

“Raul Brandão e Teixeira de Pascoaes trabalharam com o sentimento da sua raça, que frequenta um sonho inquieto de redenção.” (Philéas Lebesgue in Mercure de France, Paris,1.12.1928)

 

Publicado em 30.11.2007

 

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Capa do livro

Jesus Cristo em Lisboa
- Tragicomédia em sete quadros

Autores
Raul Brandão
Teixeira de Pascoaes

Fixação do texto,
notas e posfácio

Pinharanda Gomes

Editora
Assírio & Alvim

Páginas
190

Data
Outubro de 2007

Preço
€ 19,10
€ 17,10 no «site» da Editora

ISBN
978-972-37-1268-1

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