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Evocação de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil

Na semana em que o Brasil assinala o dia da sua independência (7 de Setembro), D. Raymundo Assis, Arcebispo de Aparecida, evoca a história da Padroeira do Brasil.

"Nossa Senhora nas suas manifestações, geralmente adopta a fisionomia do povo do país ou do lugar onde ela se manifesta. No México, deixou sua imagem impressa no manto do índio Juan Diego, e ao contemplar sua imagem é interessante observar os traços indígenas de seu rosto. Em Lourdes, na França, a Virgem Imaculada Conceição dirigiu-se a Bernadette no dialecto falado naquela região dos Pirinéus.

Em Aparecida, Maria deixa-se encontrar nas águas do rio Paraíba do Sul por três pescadores, em 1717, período em que no Brasil Colónia vigorava o regime de escravidão. Ao apanharem nas suas redes uma imagem partida – corpo e cabeça – enegrecida por causa da água do rio e das velas acesas em sua honra, os três homens viram no acontecimento uma ajuda especial para a pesca abundante, após várias tentativas em vão.

Entre os muitos milagres atribuídos à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, é muito conhecido o do escravo liberto das correntes que o prendiam enquanto, de joelhos, invocava a Virgem Maria. Mais tarde, alguns pregadores interpretaram esse prodígio como uma manifestação da solidariedade da Virgem Maria, em especial com os seus filhos feridos na sua dignidade humana, e um sinal da sua ajuda na luta pela defesa da sua libertação.

Aquela imagem pequenina despojada de tudo foi aos poucos tornando-se objecto de especial veneração do povo brasileiro. Os devotos logo a cobriram com um manto da cor do céu brasileiro e a cingiram com uma coroa, reconhecendo-a como rainha – a servidora do povo junto de Deus.

Em 1904, no dia 8 de Setembro, o Papa Pio X, traduzindo o sentimento do povo e atendendo o pedido de D. Joaquim Arcoverde, feito em nome do episcopado brasileiro, autorizou, como era usual na Igreja para imagens e quadros insignes, a coroação solene da imagem de Nossa Senhora Aparecida.

No dia 17 de julho de 1930, o Papa Pio XI, atendendo ao pedido dos Bispos brasileiros, assinou o Decreto de Proclamação de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. Em 1931, no dia 16 de Julho, na então Capital do Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, o Presidente da República, o senhor Getúlio Vargas, acompanhado de todo o seu Ministério, autoridades diplomáticas, civis, militares e eclesiásticas e de uma grande multidão de fiéis, comemoraram solenemente Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

Maria é venerada e amada pelo povo brasileiro, de norte a sul, de leste a oeste e invocada com os mais variados títulos, sendo o título de Nossa Senhora Aparecida – que o povo lhe deu espontaneamente – o mais querido e invocado com mais carinho. (...)

Nossa Senhora Aparecida tem sido, para muitos do nosso povo, inspiração de um estilo de vida solidária, fraterna, de atenção e acolhida ao outro, especialmente aos mais pobres. Sua presença e devoção têm sido um elo de união e de integração entre todas as etnias, e nunca de divisão."

D. Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida, Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (CELAM)

in Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

10.09.2008

 

 

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