
Aqui menos que nada
aqui menos que nada. No título desta exposição apresenta-se uma proposta: experimentar e pensar a redução na obra de arte.
Não nos interessa aqui a definição do minimalismo enquanto corrente artística de estética tautológica onde «what you se eis what you see» - porque, na verdade, o que vemos nunca é o que vemos. aqui menos que nada é mais do que tudo. Como escreveu Rui Chafes: “a redução é uma transcendência”. O minuscular é o meio: um despojamento essencial, uma difícil simplicidade procurada, diferente em cada uma das obras, mas que se revela como modo de abrir uma fenda no mundo – no nosso horizonte de possibilidades – e apresentar o impensado.
O Nada é, enquanto ausência absoluta de Ser, um excesso perfeito. Ter menos que nada é ficar ainda aquém, não alcançar a plenitude do vazio. É este presente aquém – próximo, imperfeito, elementar, vulgar – que interessa a cummings [“aqui menos que nada é mais do que tudo”], não o Nada absoluto. O menos que nada protege-nos do excesso, da maiúscula, mostra que o caminho para o mais-do-que-tudo não é imediato, mas mediado pela pobreza do menos. O inacabamento que pertence ao homem é a sua morada.
aqui menos que nada. Exposição com obras de Fernando Calhau, Alberto Carneiro, Tomás Cunha Ferreira, Manuel Rosa, Marta Wengorovius, Anónimo (séc. XIII). Galeria Alecrim 50, R. do Alecrim, 48-50, Lisboa. Segunda a sexta, 11h00 – 19h00; sábado, 11h00 – 13h30 e 16h00 – 19h00. Até 17 de Maio. Mais informações: 21 346 58 52; pinturantiga@mail.telepac.pt.
Paulo Pires do Vale
11.04.2008
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