
O aramaico permanece vivo
O aramaico, a língua de Jesus que floresceu nas cidades e povoados há milhares de anos, continua viva no deserto da Síria, a cerca de uma hora da capital, Damasco.
Actualmente o aramaico é falado em Maaloula, uma antiga cidade nas montanhas com dois mosteiros históricos - um Católico e outro Ortodoxo.
A educação árabe nunca proporcionou uma instrução formal no aramaico escrito mas a população conseguiu transmitir a linguagem falada de uma geração para outra, o que é motivo de orgulho para os habitantes da cidade, que rapidamente sublinham que falam “a mãe das línguas semitas”. O aramaico é igualmente falado em duas outras cidades da zona - Jabaadeen e Serkha – mas com as suas históricas igrejas e mosteiros, Maalouda é o centro da cultura aramaica.
A maior parte dos habitantes de Maalouda, aproximadamente 70%, é cristã; dois terços são católicos, ao passo que os restantes são ortodoxos gregos. Mas os árabes também falam aramaico. A população sabe que aquilo que a torna única não são as suas pertenças religiosas, mas a língua nativa.
No Verão de 2007 houve um renascimento da linguagem, quando as autoridades da cidade, com o apoio do Governo da Síria, abriram o Instituto da Língua Aramaica, afiliado da Universidade de Damasco. O programa ensina aramaico escrito a estudantes de todas as idades, em particular às crianças.
"Ibrikh yum khun" (bom dia), é a saudação do professor Imad Rihan aos alunos. A partir daqui a aula é praticamente falada em aramaico. As catorze crianças participam plenamente, com algumas a saltarem das cadeiras quando sabem as respostas. Parte da aprendizagem consiste na memorização e reprodução de canções, na escola e fora dela. No fim da aula muitas crianças já conversam entre si em aramaico. Este caloroso acolhimento do ensino foi precisamente o objectivo da abertura do Instituto.
“Há vinte anos as pessoas começaram a desistir do aramaico”, referiu Rihan. Mas passados dez anos, compreenderam como ele era importante, e por isso passaram a ensiná-lo na igreja. Recentemente começou a juntar-se informação a partir dos mais velhos com o objectivo de se elaborar um dicionário de aramaico moderno. Mas isto é só o princípio, assim espera o professor. “Queremos que seja ensinado nas escolas”, acrescentando que um pedido nesse sentido vai ser dirigido ao Ministério da Educação. “Penso que é a melhor maneira de aprender – a partir da infância.”
A instrução formal do aramaico escrito é especialmente reconfortante para pessoas como Abdullah Mukh, de 70 anos, que cresceu a falar aramaico mas que assistiu ao seu declínio ao longo dos anos. “Quando era mais novo, as pessoas falavam mais. Estou muito feliz por terem aberto a escola porque a juventude estava a esquecer a língua”.
Brooke Anderson
Trad.: rm
© SNPC (trad.) | 31.07.2008
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