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Cultura e património

Breve narrativa dos 450 anos do Convento dos Capuchos, Almada

Considerado como um dos mais belos e românticos monumentos do concelho de Almada, o Convento dos Capuchos está situado no lugar de Outeiro do Funchal, Caparica.

Edificado no ano de 1558 por Lourenço Pires de Távora, 4.º Senhor da Casa e Morgado da Caparica, que recolheu ao convento e ali faleceu no dia 15 de Fevereiro de 1573, o Convento dos Capuchos apresenta uma construção modesta mas de bastante elegância. Além disso está situado num dos lugares mais maravilhosos da freguesia de Caparica, de onde é possível contemplar Lisboa, a Serra de Sintra, a baía de Cascais, o Bugio, a Torre de S. Julião, até à Serra da Arrábida e ao Cabo Espichel.

Destinado a albergar uma comunidade de 40 frades, o piso inferior dos Convento dos Capuchos, dispunha de dependências ligadas ao culto, refeitório, cozinha, dispensa, lagar, adega, e celeiro.

Os seus frades vestiam-se de burel com capucho alongado, justificando assim o nome pelo qual eram conhecidos. A comunidade da Caparica seria, na altura, também protegida pelo próprio rei D. Sebastião.

Em 1630 são efectuadas obras de ampliação e beneficiação, tendo sido acrescentado o coro e o alpendre. Pensa-se que datará de então o revestimento a azulejos.

 

Muito abalado com a força destruidora do terramoto de 1 de Novembro de 1755, o Convento ficou quase completamente destruído, restando somente a sua parte frontal.

Ainda assim é possível recordar o seu aspecto primitivo. No frontispício havia um triplo pórtico de colunas simples, com arco ao centro e grades de ferro, formando a galilé, que dava acesso ao corpo da capela. À direita e à esquerda da janela maior, sobre o pórtico central, viam-se, respectivamente, emoldurados, o símbolo da Ordem Franciscana e, em escudo ovalado, as armas dos Távoras. Nessa mesma fachada existiam duas janelas laterais, uma graciosa cimalha de duplo recorte, com ornamentação flamejante, e um nicho, que se supõe ter sido ocupado pela imagem de Santo António.

Do conjunto em que se erguia o templo faziam parte um cemitério e várias dependências para o culto religioso. Na parte superior do edifício do Convento havia 42 celas e, em baixo, a cozinha, refeitório, adega, celeiro e enfermaria. Na retaguarda, entrando por um corredor, ficava um encantador claustrim. No seu exterior havia terras para cultivo, um tanque com água proveniente de uma mina existente a pouca distância do convento e uma capela, em invocação a São Pedro.

No ano de 1630, o então protector do convento, Álvaro Pires de Távora, 6.º Senhor da Casa e Morgado de Caparica, fez obras de ampliação e melhoramento, tendo Frei Lourenço de Madre de Deus mandado acrescentar o coro e o alpendre.

O declínio dos Távoras no século XVIII causa algum abandono do espaço. À data da extinção das ordens religiosas, em 1834, residiam na casa apenas 9 frades.

Este notável monumento almadense, votado ao abandono durante dois séculos, foi por fim adquirido pelo município em 1950. A reabertura da igreja do convento, no dia 18 de Outubro de 1952, acabou por simbolizar, embora um pouco tardiamente, o 378º aniversário da morte do seu fundador, Lourenço Pires de Távora. Em sua homenagem encontramos, à entrada da capela-mor uma lousa sepulcral como os seguintes dizeres:

"Sepultura de Lourenço Pires de Távora do Conselho de Estado Del-Rei Sebastião, o I deste nome instituidor e padroeiro desta casa. Faleceu de idade de 63 anos a 15 de Fevereiro do ano de 1573 avendo cinco semanas q. descansava em sua casa de muitos serviços q. fez a este reino na paz e na guerra e na Ásia, África e Europa”.
 

Restauro

Adquirido em 1950 pela Câmara Municipal de Almada, sob a presidência do comandante Sá Linhares, a Virgílio Alves Xavier, logo se deu início ao plano meticuloso de restauro.

Reintegrado todo o aspecto da fachada principal do convento, a galilé ficou como dantes, possuindo toda a elegância do seu pórtico antigo.

As velhas e inutilizadas pinturas da parede do fundo, que dá acesso ao corpo da capela, foram substituídas por dois painéis de cerâmica com motivos de sermões de Santo António.

No interior do templo antes da capela-mor foram colocadas duas belas imagens, urna de S. Francisco de Assis e outra de S. Domingos, fundadores das Ordens Franciscana e Dominicana.
 

Altar-mor
 
No altar-mor, todo ele em talha, foi colocada uma maravilhosa escultura de Nossa Senhora da Conceição, da autoria do Mestre Domingos Soares Branco. Outro conjunto de raro beleza e valor artístico são os batentes da teia de madeira que separa o altar-mor do corpo da capela, em talha antiga.

O coro e o púlpito, datados de 1630, foram cuidadosamente reconstruídos e a igreja revestida de azulejos, tendo, no corredor de acesso ao claustro, outros de admirável desenho artístico.

O pátio do convento, todo ele de arcadas simples, tem um lambril de lindos azulejos. Os jardins são de um beleza encantadora. Realce, também, para o soberbo painel de azulejos, datado de 1953, existente no topo contrário à entrada do miradouro.
 

Capelinha de Sto. António
 
Outra edificação que se realça neste monumento é a capelinha dedicada a Santo António, cujo tecto abobado é todo concheado, trabalho de grande cunho artístico.

Este templo, considerado como um ex-libris de Caparica, é palco de diversas cerimónias, tanto religiosas como culturais, como é o caso do já reconhecido Festival de Música dos Capuchos.

Artur Vaz in Jornal da Região (Almada), 31.05.2000
Câmara Municipal de Almada

09.07.2008

 

 

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Convento dos Capuchos
















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