
Arqueólogos datam Convento dos Dominicanos de Montejunto e confirmam presença desde o século XIII
A campanha arqueológica realizada este ano no Convento dos Dominicanos, também conhecido como Convento de Nossa Senhora das Neves, na serra de Montejunto, permitiu pela primeira vez aos especialistas datar o imóvel entre os anos 1720 e 1765.
“Conseguimos confirmar as datas do convento, o que até agora não se tinha conseguido”, revelou o arqueólogo Guilherme Cardoso, acrescentando que após os trabalhos de classificação e reconstituição de mais de 20 mil fragmentos de cerâmica, é possível agora aos estudiosos saber o tipo de utensílios usados.
Para o arqueólogo, os instrumentos que os monges dominicanos utilizavam eram sobretudo cerâmica utilitária, uma vez que o seu dia-a-dia era “muito parco. Pelo facto de se encontrarem num local ermo, em que se despojavam dos bens materiais e se entregavam à contemplação, não foram encontradas peças de maior ornamentação. Nessa altura, o Convento dos Dominicanos seria um importante ponto de culto.
“Era um local muito mau e quem lá estava eram homens que, embora não estivessem ali castigados, deviam ter uma dureza de espírito muito grande para conseguir aguentar a temperatura do local e o tempo”.
Foto: Black Mirror
Entre as peças recolhidas nas campanhas dos dois últimos anos foi possível descobrir “desde faianças, porcelanas, cerâmica comum, vidrada ou fosca”, de que eram feitas as panelas, bilhas e outros utensílios de cozinha. Além disso foram também encontradas “moedas raras”, um conjunto de fechos de livros de liturgia, medalhas dos romeiros, chaves e restos de candeias de azeite em ferro, todas datadas do século XVIII. O convento terá sido um dos mais importantes da Ordem de São Domingos em Portugal.
Apesar se saberem da existência, no mesmo local, de um convento mais antigo, do século XIII (1217), os arqueólogos não conseguiram descobrir quaisquer vestígios pertencentes a esse período, à excepção de moedas, que comprovam a presença humana naquele local desde aquela altura.
Depois de inventariados e classificados, os materiais vão ficar em exposição no Museu Municipal do Cadaval.
Flávia Calçada
in Frente Oeste, 28.08.2008
03.09.2008
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