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Exposição

Os Grecos do Museu do Prado

O conjunto de obras de El Greco do Museu Nacional do Prado, Madrid, é a mais importante que existe no mundo, quer pelo número quer pela qualidade da colecção. Tratam-se de um total de 47 obras, em que a sua diversidade corresponde não só às diferentes etapas em que foram criadas, mas também ao modo de trabalho do mestre, que contou com uma oficina que colaborou com ele e que permaneceu activa algum tempo depois da sua morte.

Depois de vários anos de investigação, o Museu do Prado apresenta o catálogo desse conjunto de pinturas, em que se incluem obras tão importantes como o “Retrato do cavaleiro com a mão no peito”, “A Trindade”, o Retábulo de D. Maria de Aragão” -  a que pertence, por exemplo, a esplêndida tela da “Anunciação” –, “Santo André e S. Francisco” – sem dúvida a maior dupla de santos pintada pelo artista –, “S. Bernardo”, as esculturas de “Epimeteo” e “Pandora” ou “A Adoração dos Pastores”, criado nos meses finais da vida para ornar a que iria ser a sua capela funerária em Santo Domingo el Antiguo (Toledo).

A exposição “Os Grecos do Prado” – que evoca a primeira do museu, em 1902, igualmente dedicada ao artista – pretende celebrar a publicação desse catálogo, em que se incluem informações sobre a procedência, bibliografia, estado de conservação, histórico das restaurações, assim como iconografia e um aparato crítico. É a primeira vez que se expõe de maneira conjunta o fundo completo do Prado – algumas obras regressaram dos museus e igrejas a que tinham sido emprestadas, ao passo que outras estavam guardadas nos armazéns. A possibilidade de contemplar todas as obras da colecção é, por isso, uma ocasião única, tanto para os estudiosos e especialistas, como para o público em geral interessado.

Ao todo apresentam-se 37 obras autografas, a que se juntam 10 provenientes de discípulos do artista ou de pintores que trabalharam em estreita colaboração com ele. A exposição termina a 10 de Fevereiro.

O museu propõe ainda, até 24 de Fevereiro, a exposição “As Fábulas de Velázquez – Mitologia e História Sagrada no Século de Ouro”.

 

O percurso de El Greco

Domenikos Teotokópoulos, dito "El Greco", naceu em Phodele, Creta (c. 1541), tendo falecido em Toledo corria o ano de 1614.

Um dos mais originais fenómenos da pintura europeia do século XVI, El Greco aliava o estilo bizantino da sua terra natal com influências recebidas durante os estudos levados a cabo em Veneza e com a tradição medieval do seu país de adopção, Espanha.

El Greco teve a sua aprendizagem de fazedor de ícones num mosteiro, partindo depois para Veneza, onde Ticiano se tornou no seu mentor. Na oficina deste grande mestre, El Greco desenvolveu o brilho e esplendor da cor, que veio a converter num elemento constante da sua produção. Foi também influenciado e moldado pelo estilo maneirista de Tintoretto, como se pode observar na sua preferência pelos arrojados escorços perspectivados, os movimentos complexos das figuras e grupos de personagens, o alongamento das proporções e o forte claro-escuro.

Em 1570 El Greco partiu via Parma para Roma, onde conheceu Miguel Ângelo. Criticou severamente "O Juízo Final", oferecendo-se para realizar uma composição melhor. Esta atitude é um exemplo particularmente revelador da ironia histórica. O único grande pintor oriundo da terra onde a arte da Antiguidade clássica nasceu foi incapaz de compreender o ideal da neleza corpórea do Renascimento Pleno.

Os contactos estabelecidos por El Greco com os humanistas espanhóis em Roma e a expectativa de encomendas relacionadas com a reconstrução do mosteiro do Escorial podem tê-lo levado a emigrar para Espanha em 1577.

De início começou por estar ao serviço de Filipe II, estabelecendo-se depois em Toledo no ano de 1580, onde recebeu um grande número de encomendas da Igreja, tornando-se também num retratista famoso.

As fontes históricas informam-nos sobre inúmeras disputas com encomendadores sobre interpretações pouco apropriadas de temas religiosos, assim como de representação fora de moda.

No decorrer do seu desenvolvimento, El Greco tornou-se gradualmente mais afastado da realidade da representação: distorcia a figura humana, abandonou uma construção espacial lógica e também deixou de utilizar objectivaente a cor. É possível que o legado bizantino tenha sido o responsável por este ascetismo crescente.

Por muito tempo quase esquecido, o interesse na figura do artista reavivou-se no início do século XX devido à sua propensão para a arte abstracta e representação de cenas quase oníricas. É actualmente considerado um dos mais importantes representantes do Maneirismo europeu (in Obras-primas da pintura ocidental, Taschen).

 

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© SNPC - Publicado em 22.01.2008

 

 

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