
Os Justos do Islão
Foi inaugurada dia 23 de janeiro em Milão, Itália a exposição «Justos do Islão» («Giusti dell’Islam»), promovida pela região da Lombardia por ocasião da Jornada da Memória, celebrada em 27 de janeiro, aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.
Participaram da apresentação o presidente da União de Jovens Judeus da Itália e um responsável pelos jovens muçulmanos italianos.
O objetivo da iniciativa é "recomeçar juntos a partir do exemplo daqueles muçulmanos que, durante a perseguição nazista, actuaram para salvar a vida de alguns judeus".
"Sem a referência ao Holocausto não se pode compreender o Ocidente de hoje – afirmou Abdallah Kabakebji, da direcção dos Jovens Muçulmanos italianos. Eu, como jovem que vive na Itália, considero normal a participação na cerimónia da Jornada da Memória. Mas se, no clima de hoje, (...) este facto pode assumir um significado extraordinário, que sejam bem-vindos estes momentos."
Por seu lado, o presidente da União dos Jovens Judeus da Itália, Daniel Nahum, observou que a União "dirigiu aos jovens muçulmanos um convite para vir junto a nós à sinagoga. E eles aceitaram. Mas o que é ainda mais importante é que todos saibam que entre as nossas associações há um diálogo desde a base, que prossegue há tempos".
A mostra, organizada pelo Centro de Cultura e Actividade Missionária PIME de Milão (Instituto Pontifício das Missões Exteriores), "pode ser uma valiosa ocasião para fazer compreender que as religiões – quando vividas como encontro – podem de verdade ser uma resposta para o mundo de hoje", acrescentou Nahum.
Com 25 painéis, a exposição pretende trazer à memória uma página de história meio desconhecida.
"Entre os 22.000 nomes dos Justos entre as Nações – as pessoas recordadas no Museu do Yad Vashem de Jerusalém como heróis porque colocaram em risco a sua vida para salvar a de alguns judeus durante a Shoah – são cerca de 70 os que procedem de contextos muçulmanos."
Giorgio Bernardelli, jornalista da revista do PIME, "Mondo e Missione" (Mundo e Missão), denuncia que "hoje são os mais esquecidos entre os Justos".
"O conflito político entre israelitas e palestinianos – que com muita frequência vemos estender-se às identidades religiosas e culturais – tornou lamentavelmente as suas histórias politicamente incorretas, tanto para os muçulmanos como para muitos judeus. Porque é mais fácil classificar o outro sob a etiqueta do inimigo", comenta.
A mostra «Justos do Islão» estará aberta até 10 de Fevereiro no Museu Povos e Culturas do PIME de Milão e será depois colocada à disposição de escolas e centros culturais para iniciativas de sensibilização sobre o diálogo entre culturas e religiões.
Alguns dos painéis serão expostos em 30 de janeiro na Estação Central de Milão, durante a cerimônia anual de comemoração da deportação dos judeus milaneses para os campos de extermínio.
Publicado em 28.01.2008
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