
Impressões do Sagrado
Concebida por Alfred Pacquement, Jean de Loisy et Angela Lampe, a exposição "Impressões do Sagrado" está patente no Centro Pompidou, Paris, até 11 de Agosto. Centrada sobre a arte moderna e contemporânea, reúne 350 obras de mais de 200 artistas, desde Goya e os românticos alemães até aos novos criadores.
Vinte e quatro secções propõem uma multiplicidade de temas; por exemplo: "Nostalgia do infinito", "Para além do visível", "Absoluto", "Revelações cósmicas", "Homo Novus", "Éden", "Escatologia", "Apocalipse", "Danças sagradas", "Espiritualidades pagãs", "Eros e Thanatos ", "Ofensas", "Homo homini lupus", "Arte sacra", "Ressonâncias do arcaico", "Sacrifícios", "Sabedorias orientais".
Através de uma extensa selecção de pinturas, esculturas, instalações e vídeos, “Impressões do Sagrado” apresenta, num mundo secularizado, a via profana de uma irrepreensível necessidade de elevação, num percurso que envolve toda a história da arte do século XX, de C.D. Friedrich a Kandinsky, de Malevitch a Picasso e de Barnett Newman a Bill Viola.
Característica do Homo Sapiens, a aparição da arte acompanhou, desde a Pré-História, as interrogações fundamentais sobre as questões do ser e do sentido. Esta união entre inquietude espiritual e a criação foi aprofundada por todas as grandes religiões.
Desde o séc. XVIII, no Ocidente, a relação entre arte e religião alterou-se profundamente. A Reforma, a ascensão do capitalismo, os ideais do Iluminismo, o culto da razão, o desenvolvimento das cidades confluem naquilo que Max Weber chamou “o desencantamento do mundo”.
Simultaneamente, o anúncio da morte de Deus por Nietzsche, no final do séc. XIX, assim como o despontar da psicanálise e os avanços da física e do marxismo, conduziram à reconsideração do lugar do Homem na criação e, consequentemente, da sua relação com o religioso.
A crise religiosa não significou, no entanto, o desaparecimento do questionamento metafísico. A tese defendida por esta exposição é de que uma parte da arte moderna e contemporânea foi criada a partir destas preocupações.
O objectivo da mostra é, por isso, explorar as significações deste questionamento no séc. XX e mostrar – numa chave de leitura indispensável para a compreensão da história da Arte Moderna – que ele continua a fazer parte da criação de formas contemporâneas.
Durante o período da exposição serão propostas diversas actividades paralelas: coreografias, concertos, conferências (com a presença de especialistas em história, antropologia, filosofia, filologia, e cinema), uma jornada de estudos sobre a literatura contemporânea e o sagrado, assim como um ciclo de cinema, de Luis Buñuel a Abel Ferrara.
Até 20 de Julho o Centro Cultural da Suécia em Paris associa-se a este evento com uma exposição de obras abstractas, derivadas da espiritualidade, de Hilma Af Klint.
Saiba mais no «site» do Centro Pompidou.
La Croix | Centre Pompidou
rm
© SNPC (tradução) | 13.05.2008
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