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Testemunho

A fé de Ingrid Betancourt

A imagem é comovedora. Logo depois de ter descido do avião que a trouxe do inferno da guerrilha, Ingrid Betancourt ajoelhou-se, com a sua mãe e os outros antigos prisioneiros, para rezar alguns momentos no asfalto do aeroporto de Bogotá, enquanto um padre os aguardava para os acolher e abençoar.

Por diversas vezes a ex-prisioneira persignou-se, mãos juntas e pálpebras fechadas, profundamente recolhida apesar da agitação envolvente. Desde logo, perante as câmaras do mundo inteiro, Ingrid exibe um intenso fervor, não hesitando a ver na sua libertação um sinal da Providência.

“Quero em primeiro lugar dar graças a Deus e agradecer aos soldados da Colômbia”, agradecendo “pelas suas orações” todos os que pensaram nela. “Foi um milagre”, referiu com intensa energia. Esta fé inabalável, que já tinha sido percebida por diversos testemunhos nos últimos meses, ajudou-a sem dúvida durante os seis longos anos e quatro meses de cativeiro.

Numa longa carta tornada pública no passado mês de Dezembro, ela escrevia que, no despojamento, a Bíblia era “o seu único luxo”. “Cada dia comunico com Deus, Jesus e a Virgem (...). Aqui, tudo tem duas faces, a alegria vem depois da dor. A alegria é triste. O amor alivia e abre novas feridas... é viver e morrer de novo.”

“Durante muitos anos, pensei que enquanto viver, enquanto continue a respirar, deveria continuar a guardar a esperança. Já não tenho as mesmas forças, é-me muito difícil continuar a acreditar.”

Num vídeo difundido em 2003, a prisioneira convidava os seus próximos “a um encontro todos os sábados” para se unir a ela em oração. Os próximos de Ingrid nunca deixaram de responder ao pedido de comunhão espiritual, o que também os ajudou a que a sua fé não desfalecesse. Dizia a sua mãe, Yolanda Pulecio, em 2005: “Creio que é minha fé que me impulsiona. Creio em Deus e amo fervorosamente a Virgem. Quando Ingrid for libertada, a nossa primeira viagem será a Lourdes. Prometi-o à Virgem.”

Quinze dias antes do seu rapto, numa emissão televisiva difundida em Fevereiro de 2002, Ingrid Betancourt evocava com lucidez os riscos inerentes ao seu combate contra a corrupção: “Em primeiro lugar creio que Deus existe... Creio em Deus”, afirmou com convicção.

Ingrid Betancourt em oração

Depois da libertação, Ingrid teve algumas palavras para os seus antigos captores: “Vi o comandante, que durante tantos anos foi responsável por nós, e que foi tão cruel connosco. Vi-o no chão, com os olhos vendados. Não pensem que fiquei contente; tive piedade dele”, acrescentando que é preciso respeitar a vida dos outros mesmo que eles sejam inimigos.

 

Veja o vídeo da chegada de Ingrid Betancourt a Bogotá

François-Xavier Maigre

in La Croix

Trad.: Rui Martins

© SNPC (trad.) | 07.06.2008

 

 

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