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Cultura do dom

A felicidade está no dar

Um estudo científico divulgado pela revista Science parece confirmar as palavras de Cristo que S. Paulo retoma em Act 20, 35: “A felicidade está mais em dar do que em receber”.

Em artigo publicado no «Público» de 21.03.2008, a jornalista Clara Barata refere que os cientistas dizem que o dinheiro pode contribuir para a felicidade mas só se for usado para compara coisas para as pessoas de quem se gosta ou que são objecto de interesse particular. “Se for só para comprar coisas para nós próprios, ter mais dinheiro não nos torna mais felizes.”

“’Queríamos testar a teoria de que a maneira como as pessoas gastam o dinheiro é pelo menos tão importante como quanto dinheiro ganham’, explica Elizabeth Dunn, a autora principal do trabalho.

Outros trabalhos concluíram que o rendimento tem um certo efeito da felicidade, ‘embora seja surpreendentemente fraco, quando todas as necessidades básicas estão garantidas’, escreve a equipa na Science. ‘Enquanto os rendimentos têm subido de forma drástica nas últimas décadas nos países desenvolvidos, os níveis de felicidade têm-se mantido estáveis.’ Uma explicação possível é que ‘as pessoas usem o dinheiro para coisas que lhes dão pouco retorno em termos de felicidade duradoura, como comprar produtos caros’.

Por isso, além da curiosidade científica de explicar este fenómeno, a equipa de Dunn interessou-se por enontrar maneiras de aumentar a felicidade de cada um.

Para confirmar ou pôr de lado a sua hipótese, os cientistas fizeram uma série de experiências, partindo de uma ‘amostra representativa da população americana’ de 632 pessoas. Analisaram variáveis como os rendimentos e os hábitos de consumo, bem como os níveis de felicidade que reportavam. A conclusão foi mais ou menos a esperada: os seus gastos pessoais não tinham qualquer relação com a felicidade que sentiam.

No entanto, quem relatava ter o hábito de comprar prendas – ou dar dinheiro para obras sociais, aquilo que os cientistas designam como ‘gastos pró-sociais’ – reportava maiores níveis de felicidade. ‘Gastar dinheiro com os outros pode ser um caminho mais eficaz para a felicidade do que gastá-lo consigo’, diz a equipa.

Estes resultados foram confirmados experimentalmente, examinando o que fizeram os funcionários de uma empresa de Boston quando receberam um prémio de produtividade, de valor variável, e também o que faziam os voluntários a quem foi dada uma nota de cinco ou de vinte dólares para gastar até ao fim do dia. ‘Independentemente de quanto dinheiro receberam, as pessoas que gastaram dinheiro com os outros relataram maior satisfação do que os que o não fizeram’, explica Dunn.

Mas o que é verdadeiramente curioso é que as pessoas que participaram na experiência relataram gastar muito pouco em prendas ou dádivas sociais, apesar de isso as fazer felizes. ‘Devotam pelo menos mais dez vezes do seu rendimento mensal para gastos pessoais do que para gastos pró-sociais’. Por isso os cientistas fazem uma recomendação: ‘Pequeníssimas alterações na forma como gastamos o dinhero – no nosso estudo, bastavam cinco dólares – podem produzir ganhos diários de felicidade que não são triviais.’”

Clara Barata

in Público, 21.03.2008

27.03.2008

 

 

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