
Festa das Tochas Floridas assinala Ressurreição de Cristo
A vila é um mar de tochas floridas. Os homens, formando alas, abrem a procissão, empunhando uma tocha na mão. Ao longo da procissão, reúnem-se em pequenos grupos para, alternadamente, se levantar o grito do “Aleluia”.
Aqui e além ouve-se uma voz potente e sonora: “Ressuscitou como disse!”.
O grupo erguendo bem alto a tocha, com grande alegria e entusiasmo, responde: “Aleluia, Aleluia, Aleluia!”.
É a manifestação popular da fé em Cristo ressuscitado.
Nesta festa os andores dão lugar às flores, com que se enfeitam as tochas, levadas pelos homens ao longo do cortejo, com que se adornam as varandas e ainda o tapete que cobre o chão, com mais de um metro de extensão.
O P. José da Cunha Duarte refere que "esta Procissão (...) não leva andores com santos; debaixo do pálio vai apenas o Santíssimo Sacramento. Sempre foi obrigatório às confrarias levarem uma tocha acesa ou luminária e opas vestidas.

A falta de cera levou ao aparecimento de paus pintados e ornamentados com flores, no cimo do qual se colocava uma pequena vela. Com o desaparecimento das confrarias ficaram os paus enfeitados, as lanternas e velas acesas (...).
Ao longo da procissão sempre se cantaram hinos, responsos e o Aleluia, em honra da Ressurreição do Senhor. Outrora havia um ou dois coros a cantar e o povo respondia. Com a falta de clero e de cantores, o canto ficou na boca do povo.
Ao estudar os costumes e tradições religiosas da região algarvia, no fim do século XIX e início do século XX, o P. José Manuel Semedo Azevedo afirma que a procissão de Aleluia 'está tão espalhada que poucas ou nenhumas freguesias a não fazem. Nalguns lugares ela tem foros de grande acontecimento. As ruas são juncadas, nas casas põem-se colgaduras e até as próprias velas das crianças e dos fiéis são floridas. É a procissão das flores, como nalguns lugares lhe chamam'.

As normas litúrgicas dizem que esta procissão 'será feita logo de manhã antes da Missa ao romper da aurora', para recordar as três Marias que foram ao sepulcro ao nascer do sol e encontraram o túmulo vazio.
Até ao século XX, esta procissão era muito popular em todo o Algarve. Com a implantação da República quase tudo desapareceu (...) .
Reposta a liberdade de culto, poucas são as freguesias onde ainda se cantam as antífonas, os versículos e as orações próprias. No início do século XXI, só algumas paróquias mais tradicionalistas e cristãs é que realizam esta procissão."
A Festa das Tochas Floridas encheu de cores e de gente as ruas da vila, mostrando que esta é uma das festividades religiosas mais bonitas de todo o Algarve. E um grande cartaz turístico para São Brás de Alportel.
Vídeo: Nuno Loureiro
in Barlavento | Região Sul | Município de S. Brás de Alportel
28.03.2008
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