
A grande procissão da Rainha Santa Isabel
Começou ontem, pelas 20h00, já o adro do Convento de Santa Clara estava cheio de fiéis. E são muitos os devotos da Rainha Santa Isabel, na região, no país e até além fronteiras, onde existem diversos núcleos de adoração à santa eternizada no milagre das rosas, a quem se elogia o espírito solidário e de missão para com os mais necessitados. Mas é em Coimbra que mais intensamente se vive a devoção à Rainha Santa, cidade onde D. Isabel de Aragão, esposa de D. Dinis, viveu e construiu grande parte da sua obra social. Cidade onde também veio a ser sepultada, em 1336, cumprindo-se um desejo que deixou expresso em testamento. Coimbra nunca mais a esqueceu e fez dela sua padroeira.
A imagem da Rainha Santa saiu da Igreja do Convento de Santa Clara-a-Nova, sob o olhar de fiéis, ao som de filarmónicas e cânticos de adoração. Não faltaram crianças vestidas de anjos e adultos a cumprirem promessas à padroeira, a santa protectora dos pobres e humildes. A chegada à Ponte de Santa Clara, um espectáculo pirotécnico intitulado “Bouquet da Rainha Santa”.
A procissão nocturna foi transmitida em directo a partir de um ecrã gigante no Largo da Portagem. Naquele local passou a imagem, que prosseguiu em direcção à Igreja da Graça, na Rua da Sofia, onde ficará até domingo, dia da procissão de regresso ao Convento.
No Largo da Portagem está o maior ponto de iluminação da cidade, com uma composição dedicada à padroeira Rainha Santa Isabel de 15 por 12 metros. Estão ainda iluminados o adro da Igreja de Santa Clara-a-Nova, a Calçada de Santa Isabel, o Convento de S. Francisco, o Parque Verde, a Avenida Emídio Navarro e a Baixa, entre outras artérias e praças da cidade.
Não há, em Coimbra, quem não conheça a história do milagre das rosas. Conta-se que, certo dia, a rainha, decidida a ajudar os mais pobres, teria enchido o regaço de seu vestido com pães, para os distribuir. Tendo sido apanhada pelo soberano, que lhe perguntou onde ia e o que levava no regaço, a rainha exclamou: “São rosas, senhor!”, ao que este, com desconfiança, inquiriu: “Rosas, no Inverno?”. O milagre deu-se quando, do regaço do vestido da rainha, brotaram rosas, ao invés dos pães que ocultara.
D. Isabel de Aragão ficaria também conhecida como “Rainha da Paz”, pela posição conciliadora que assumiu quando o seu filho Afonso IV de Portugal, ameaçado pela existência de um bastardo, declarou guerra a seu pai, D. Dinis. Ou, noutra ocasião, quando se colocou entre os exércitos desavindos do seu filho e do seu neto materno – Afonso XI, rei de Castela –, evitando de novo a guerra.
Andrea Trindade | rm
11.07.2008
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