
Tecnociência, ética e beleza: importância e insuficiência
Existe, desde os anos 60 do século XX, no mundo inteiro, um vasto conjunto de iniciativas, instituições e pessoas ocupadas com a relação entre Teologia e Ciências Naturais. Em todos os ramos do saber – Astronomia, Física, Química, Biologia, Bioquímica, etc. – existem, certamente, muitos cientistas religiosos, mas ainda não se criou um clima, uma cultura que não se contente em dizer que fé e ciência não são incompatíveis. precisa-se de algo mais.
Não deve ser, no entanto, desvalorizada a mudança de atitude na orientação da hierarquia da Igreja. Por diversas fases, foi passando da condenação e da suspeita para o desejo de uma síntese teológica de assimilação científica. (...)
Em certas correntes da Igreja, ainda não desapareceu o sonho, perante a cultura moderna, da síntese realizada na Idade Média por Tomás de Aquino, que assimilou a física, a antropologia, a ética e a metafísica aristotélicas. Serviram-lhe, reelaboradas, para exprimir a teologia da fé cristã.
Para realizar uma tarefa semelhante, são precisos cientistas e teólogos que se sintam bem nos dois campos, mas, como diz o P. Luís Archer, S.J., apesar de ser uma tarefa urgente, “levará ainda muito tempo até que se construa uma nova síntese teológica de assimilação científica”.
Não basta, porém, à pregação cristã, á catequese e à teologia o caminho da assimilação científica. Sem as linguagens da filosofia e de todas as formas de expressão artística, tornamo-nos incapazes de entender a Bíblia, o Credo cristão e as celebrações da fé.
Apesar dos seus enormes benefícios, não creio, no entanto, que a tecnociência, a ética e a beleza bastem para nos salvar. (...)
Fr. Bento Domingues, O.P.
in Público, 25.05.2008
29.05.2008
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