
Mosteiro de Santa Clara-a-Velha reabre em Setembro
O Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, em Coimbra, mandado construir pela Rainha Santa Isabel na margem esquerda do Mondego, reabre ao público em finais de Setembro, passando a dispor de um centro interpretativo .
Alvo de um projecto de recuperação e valorização iniciado em 1991, que transformou aquele espaço no "maior estaleiro de arqueologia medieval europeia", o Mosteiro surge agora com um centro museológico dirigido à investigação permanente do conjunto monástico.
"Não é um museu mas um centro interpretativo que pretende contar quem lá viveu, como, a importância que teve", disse à Lusa o arquitecto Artur Côrte-Real, coordenador do Projecto de Valorização do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. O estaleiro esteve aberto a visitas, de forma condicionada, entre 2004 e 2007, que atingiram as cinco mil pessoas anuais, referiu.
O mosteiro foi mandado construir por D. Isabel de Aragão, em 1314, no local primitivo do núcleo de monjas clarissas fundado em finais do século XIII, por D. Mor Dias. Desde cedo, o monumento foi sucessivamente invadido pelas águas do Mondego, obrigando à construção de pavimentos elevados e ao abandono definitivo do monumento, em 1677, com a transferência das clarissas e do túmulo da Rainha Santa para um novo mosteiro, o de Santa Clara-a-Nova.

Os trabalhos iniciais de requalificação do acesso e percurso de visita à igreja semi-alagada levaram à descoberta de um conjunto monástico de elevado valor arquitectónico e artístico, que justificou a construção de um edifício de raiz para exposição e interpretação dos acervos escavados.
Em 2006 iniciou-se a conservação e restauro das ruínas arqueológicas, através de um projecto de valorização do mosteiro que ronda os 7,5 milhões de euros. O projecto engloba um edifício com mil metros quadrados, construído para acolher o núcleo museológico/centro interpretativo, com salas de exposições, auditório e espaço de projecção fílmica, loja com venda de produtos associados ao monumento e uma cafetaria. Existem ainda espaços próprios para a reserva de materiais, laboratório de conservação e restauro, biblioteca, gabinetes de investigação e serviço educativo de apoio a professores e crianças que visitem o monumento. No centro interpretativo ficará em permanência uma exposição de acervos arqueológicos, que documenta as vivências espirituais e temporais da comunidade monástica.
A intervenção no mosteiro contou com a participação de especialistas em diversas áreas, nomeadamente História de Arte, Antropologia, Arquitectura, Botânica, Geologia e Engenharia.
Lusa
07-08.2008
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