
Claustro do Mosteiro de Semide em risco de derrocada
Se não começarem o mais rapidamente possível as obras no claustro quinhentista do Mosteiro de Semide, Miranda do Corvo, este corre o risco de cair. O alerta foi dado por Fátima Ramos, presidente da Câmara Municipal.
A autarca não percebe porque é que não começaram as obras de recuperação da ala mais antiga do Mosteiro de Semide. Resolvida que está a questão da publicação da portaria, que permite o arranque das obras, Fátima Ramos gostaria que o Governo desse luz verde para uma intervenção que está orçada em cerca de 1,5 milhões de euros. “Existe dinheiro e o empreiteiro está escolhido. Não percebo porque é que a intervenção não arranca”, afirmou.
Segundo a presidente, o claustro quinhentista é um dos únicos exemplares da época existentes no país que devia merecer a atenção dos responsáveis. “É importante que não se perca este importante monumento do nosso património”, reafirmou ontem aos jornalistas. Fátima Ramos, que esteve acompanhada pelo pároco de Semide, António Pedro dos Santos, e do director do Pólo de Semide do Cearte, Pinheiro Torres, fez questão de frisar a importância da intervenção. Principalmente quando em 2005 foi gasto naquele local um milhão de euros que permitiu consolidar as paredes e a estrutura do único monumento local classificado como Imóvel de Interesse Público.

Fundado no século XII, o Mosteiro de Semide é constituído pela igreja, pertencente à paróquia, e pela parte conventual, propriedade do Estado, onde se encontram a funcionar um lar da Cáritas Diocesana de Coimbra, que acolhe 65 crianças e jovens dos sete aos 18 anos de idade, e um pólo do Cearte, que dá formação profissional e apoio social a 160 jovens. Aliás, segundo o projecto para este local, a zona a intervencionar permitirá criar mais algumas salas de formação para o Cearte e um museu. “Será plenamente usado”, garantiu Fátima Ramos.
O pároco de Semide teme que o atraso na intervenção venha a ter consequências graves, tal como aconteceu em 2006 quando, devido à medida do Governo, a obra ficou suspensa. A 26 de Novembro de 2006, depois de um temporal, parte do claustro caiu. No entanto o Padre António Pedro dos Santos mostrou-se esperançado em que novo atraso naquele local não se traduza “numa perda nacional”.
Recentemente (Agosto de 2007) o órgão de tubos da igreja do Mosteiro, datado do século XVIII, voltou a ouvir-se depois de quase um século de inactividade.
António Alves | SNPC
in As Beiras, 07.01.2008
Publicado em 08.01.2008
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