
Museu do Vaticano, mais do que a Capela Sistina
Tendo ocupado há um mês o cargo de Director do Museu do Vaticano, Antonio Paolucci afirmou que um dos desafios que pretende enfrentar consiste em mostrar que o acervo é “muito mais do que a Capela Sistina”.
Em entrevista ao “Osservatore Romano”, Paolucci referiu que uma das suas maiores preocupações é o facto de a maior parte das pessoas resumir o seu percurso à Capela Sistina, ignorando outras grandes obras de arte. Por isso está a ser ponderada a possibilidade de abrir uma nova entrada, de forma a possibilitar o fluxo dos visitantes pelo museu.
“Uma das coisas que tenho de aperfeiçoar, e que pessoalmente me irrita”, é o facto de o público ignorar o tesouro das obras de arte que estão em exposição, referiu o Director. “Isto é, para o público do museu, só existe a Capela Sistina do Miguel Ângelo. Foi com tristeza que descobri que a maior parte das pessoas que vêm ao museu, mais de dois terços, ignoram até Rafael”.
E continuou: “É possível compreender isto? Rafael, o maior artista do último milénio, para mim maior do que Miguel Ângelo, deixou de ser visto por muitos visitantes”. Por isso, lamentou Paolucci, “Miguel Ângelo tornou-se uma atracção fatal que eclipsou o resto”.

Transfiguração, Rafael. Museu do Vaticano
Apesar de admitir que para ver toda a colecção do Museu seria preciso cerca de um mês, o Director gostaria que o público pudesse perceber, à entrada, a pluralidade das obras expostas.
“O mais fascinante no Museu do Vaticano é que ele é um 'speculum mundi' (espelho do mundo)", concluiu Paolucci.
Conheça o «site» do Museu do Vaticano.
CNA | rm
© SNPC: Tradução - Publicado em 15.01.2008
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