
Revista "Nova Águia" anuncia edição dedicada ao Padre António Vieira
A revista "Nova Águia" foi apresentada em 30 de Abril, em conferência de imprensa.
Surge na esteira da revista surgida no início do século XX, no Porto, chamada "A Águia", que se tornou numa das mais importantes revistas culturais do início do século XX em Portugal. Nela colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Carneiro, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.
Inicialmente dirigida por Teixeira de Pascoaes, foi considerada o órgão da corrente literária e de pensamento a que este poeta-pensador chamou o saudosismo. Corrente mal compreendida pelo pensamento racionalista e positivista, considerando-a passadista e retrógrada, apenas voltada para o passado. Ora no espírito poético-mental de Pascoaes, a Saudade e o Saudosismo apenas procuravam nas raízes do passado as sementes, as linhas de acção e as constâncias para o futuro. Mesmo entendendo, como fez Carolina Michaelis no seu estudo Saudade e Saudosismo, que o termo e o conceito de saudade está longe de ser um exclusivo da mentalidade portuguesa, a fórmula encontrada por Pascoaes para fundar a sua doutrina de alicerçar no passado e na tradição os fundamentos de um futuro de inovação e criatividade – como aliás fizeram os do passado que se vieram a notabilizar – nunca shegou a ser completamente compreendida nem rectamente entendida.
A revista "A Águia" passou depois a ser dirigida por Leonardo Coimbra. Nesta época, em que o filósofo estava ainda embrenhado nos seus fundamentos matemáticos, publicou na revista uma série de artigos em que procurava transmitir em termos acessíveis, mas com claro fundamento científico e alicerçado mesmo em longas fórmulas matemáticas, a chamada Teoria da Relatividade, entretanto proposta por Einstein. Eis como do saudosismo tão criticado se passava rapidamente para o avanço da ciência.

Ora, na linguagem dos promotores do relançamento de uma tal revista, suportada no título da original, agora chamada "Nova Águia", pretende-se edificar «uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu "espírito", adaptado aos nossos tempos. Não se trata, nessa medida, de fazer uma revista voltada para o passado, meramente revivalista. Trata-se, antes, de fazer uma revista para os tempos de hoje, para o século XXI», como esclarecem. Exactamente como pretendeu ser a revista cuja matriz assumem.
"Queremos contribuir para despertar as consciências sobre a identidade nacional", afirmou Paulo Borges, um dos directores da revista.
Uma nação "não pode reduzir-se aos entusiasmos fugazes da expectativa de proezas futebolísticas. Há que refundar Portugal", lê-se no manifesto da revista "Nova Águia", que chega às livrarias no dia 19.
A dado passo, o manifesto refere que "as ideias e valores da cultura portuguesa e lusófona – a sua aspiração ao infinito e à totalidade, o seu sentido da irmandade cósmica e do bem universal, a sua vocação para mediar e promover a harmonia entre diferentes povos, culturas, civilizações e religiões –, convergindo com a emergência planetária de um novo paradigma holístico, podem ser um importante contributo para uma outra globalização, a da paz, da fraternidade e da sabedoria, alternativa àquela cujo triunfo planetário se pressente como um prolongado e agónico canto de cisne, destino inevitável de todos os grandes impérios históricos e materiais."
Tal como n' "A Águia", a revista procurará tornar-se local de reflexão e análise propostas por algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, em torno de temas escolhidos. O tema do primeiro número é a ideia de “Pátria”. "Orgulhamo-nos de ter conseguido o contributo de gente tão ilustre como Agustina Bessa Luís, Ariano Suassuna, Mário Cláudio, Pinharanda Gomes, Dalila Pereira da Costa, António Cândido Franco e Miguel Real, a par de muitos outros", como declaram na sua apresentação os promotores. O segundo número, a ser lançado em Novembro, terá como tema "António Vieira e o futuro da Lusofonia".
C. F. (Voz Portucalense) | Diário de Notícias | Expresso | rm
08.05.2008
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