
O Órgão de Tubos da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Barreiro
Na nossa Diocese de Setúbal, possuímos alguns belos exemplares da organística, que merecem um trabalho de análise histórica aprofundado; são os casos dos órgãos da Igreja da Arrentela, Seixal; da Igreja de S. Sebastião, Setúbal; do Santuário de Nossa Senhora do Cabo, Sesimbra, e do recentemente restaurado Órgão da Igreja de Nossa Senhora do Rosário no Barreiro.
Este último Órgão de Tubos, depois de apurado restauro, teve o seu concerto inaugural no passado dia 8 de Dezembro.
É um instrumento de tipo ibérico, que têm características adquiridas principalmente a partir de modelos originários dos Países Baixos. A partir do século XIV a construção de Órgãos na Península fez grandes progressos, mas é no século XVI, com a vinda de mestres organeiros flamencos e italianos, que a actividade ganha grande fôlego, atingindo pleno vigor no século XVIII.
O Órgão da Senhora do Rosário do Barreiro, dadas as suas características, é do primeiro quartel do século XIX, visto que de 1821 a 1826 foram entregues vários trabalhos de restauro a António José Fontanes. É neste argumento que reside a atribuição deste órgão ao pai deste mestre organeiro da Real Basílica de Santa Maria de Lisboa.
Os órgãos de Joaquim Antonio Peres Fontanes são muito semelhantes aos de Machado Cerveira, contudo, os frontispícios elaborados por este chegaram a adquirir estatuto de verdadeiras obras-primas. O seu filho António José Fontanes dedicou-se essencialmente a restaurar órgãos fabricados pelo pai, mas existem alguns da sua lavra, como o da igreja matriz de Oeiras, que tem esta inscrição: «Antonio Joaquim Fontanes, o fez em Lisboa no anno de 1829».
Segundo o mestre-organeiro Pedro Guimarães von Rohden, este órgão seria construído por Fontanes (filho), a partir de um instrumento de seu pai. A data da construção seria entre 1797 – ano em que ainda se alugou um instrumento em Lisboa – e 1808, de que data a primeira referência a um órgão nesta igreja.
Diz a tradição que o órgão foi oferecido por D. Maria I à Capela Real de Nossa Senhora do Rosário do Barreiro. Corroborando esta tese, está a coroa real presidindo ao frontispício do órgão; debaixo, inscrita sob uma forma ovalada, as siglas da Ave Maria, que alude à saudação do Anjo a Maria, e quem sabe seja uma referência à ofertante.
É um órgão de características barroca-rocócó, com caixa pintada em parte com marmoreados. Possui 1515 tubos, sendo que os do frontispício dispõem-se de forma serpenteante de curva e contracurva, divididos em cinco corpos, definidos por estípites, cujos capitéis são rematados por jarros de flores. Ladeando as siglas marianas, colocadas no corpo central, há duas representações da ladainha mariana; nos corpos laterais, a lua do lado direito e o sol do lado esquerdo. Une as três formas ovais um elegante florão.
Casimiro Henriques
Publicado em 09.01.2008
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