
Representação da Paixão de Cristo assinala entrada no segundo centenário
Perto de 250 actores, 120 cantores, 50 músicos, guarda-roupa da época, palco de 700 m2 e sala de mil lugares: é à maneira de uma grande produção que todos os fins-de-semana de Julho está em cena, na cidade francesa de Nancy, França, a narrativa dos últimos dias de Jesus.
Do Jesus glorioso que entra em Jerusalém ao Jesus crucificado, de Herodes à solidão da cruz: vinte e seis actos e quase cinco horas de espectáculo, entre as 16h30 e as 23h30. O que exige, por exemplo, dois actores que se revezam na interpretação de Jesus.
Iniciada em 1904, a “Paixão de Cristo”, interpretada pelo Teatro da Paixão de Nancy, foi inspirada em actuações similares que remontam a 1634, em Oberammergau, na Baviera; a princípio muito modestos, os espectáculos acabariam por adquirir grande importância.
De quatro em quatro anos a dramatização regressa à cena, respeitando a tradição dos seus fundadores. As representações foram interrompidas durante 34 anos, tendo sido retomadas em 1969. Os intervenientes, à excepção de alguns músicos, não cobram qualquer verba pela colaboração. O envolvimento é transmitido de geração em geração, pelo que não é raro ver em palco filhos, pais e avós da mesma família.
A encenação, os impressionantes cenários e os textos actuais, inspirados no Evangelho segundo S. João, são praticamente iguais aos da última versão, que foi estabelecida há 20 anos.
Os espectadores apreciam este magnífico fresco histórico – que, em termos bíblicos, é o maior de França – apoiado por uma orquestra de qualidade que interpreta obras de Bach, Mendelssohn, Albinoni, Mozart, Haydin, Haendel, entre outros. Por isso as autoridades civis regionais mantêm o apoio à iniciativa, apesar do seu fundamento religioso.
Há, no entanto, alguns desafios a superar. Por exemplo, a duração da apresentação dissuade um público que cada vez menos está familiarizado com a temática religiosa. “Seria preciso menos grandiloquência, é preciso conquistar novas audiências”, refere um dos encenadores, que gostaria de encurtar a peça para três horas. O mesmo colaborador sublinha, contudo, a dificuldade, “nesta enorme estrutura, com o peso dos mais antigos”, de fazer evoluir uma fórmula que está rodada há décadas.
Não é fácil mexer num sistema desta dimensão, sobretudo quando a colaboração da maior parte dos participantes é um acto de fé. “Antes de tudo sou crente, e esta história é a da humanidade, por vezes injusta, que age por interesse e nem sempre sabe distinguir o bem do mal”, diz uma espectadora. Todos os envolvidos na estrutura reconhecem-se cristãos. No coro participam muitos membros de grupos paroquiais, ao passo que os actores são maioritariamente recrutados nos movimentos eclesiais e nas paróquias.
“Há mensagens de paz que passam, esperamos que elas dêem os seus frutos”, explica Bernard Riethmuller, há 40 anos presidente do Teatro da Paixão de Nancy, associação independente da diocese mas por ela apoiada.
Aos domingos, depois da apresentação, espectadores e voluntários são convidados a participar na Missa; o altar é colocado sobre o palco onde, minutos antes, a Páscoa de Cristo foi evocada.
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Conheça o «site» do Teatro da Paixão de Nancy
Elise Descamps (La Croix) | Le Théâtre de la Passion de Nancy
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© SNPC (Trad.) | 04.07.2008
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