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Peregrinação ao Santuário de São Bento da Porta Aberta

Entre a festa e a oração: a dimensão interior é a razão da exterior

O Santuário de São Bento da Porta Aberta, Terras de Bouro, no Gerês, recebeu, ontem, milhares de peregrinos e fiéis que foram cumprir as suas promessas, por mais um ano.

D. Jorge Ortiga, arcebispo primaz de Braga, que presidiu às cerimónias religiosas, lembrou os crentes que é necessário cuidar da “dimensão interior através da palavra de Jesus Cristo”. “Estas festas, romarias, são momentos de encontro entre as pessoas para saborear a alegria de partilharmos uns com os outros”, assim iniciou D. Jorge a homilia. “As duas dimensões, exterior e interior são importantes, mas é necessário preocuparmo-nos mais com a dimensão interior - pois é aquela que se preocupa com aquilo que acontece no espaço sagrado”, indicou.

O Arcebispo Primaz de Braga quis assim advertir os peregrinos, que enchiam por completo a cripta do santuário, para que procurem sempre “o equilíbrio” nas suas vidas. Um equilíbrio que deve pautar, também, segundo o seu entendimento, os programas das festividades e romarias de cariz religioso: “Nas nossas aldeias há uma grande preocupação com o facto de se ter sempre que fazer uma festa maior e com mais folclore que os outros”, criticou o responsável pela arquidiocese bracarense. “É preciso lembrar que é a dimensão interior que é a razão da exterior - que é a festa mais popular”.

D. Jorge Ortiga recordou a vida e obra de São Bento - a razão de ser de tantas peregrinações durante estes dias - indicando-o como um exemplo para os católicos. “São Bento seguiu o apelo do Senhor e retirou-se para uma caverna onde viveu alimentando-se, quase exclusivamente, na fé de Deus, criando uma nova maneira de estar na vida, em que a interiorização está em primeiro lugar”, sublinhou o Arcebispo Primaz. “São Bento foi um místico, que viveu, quase permanentemente, na voz de Jesus Cristo”, destacou D. Jorge, sublinhando ainda que “este santuário, tal como todos os outros, dever ser, antes de mais, o Evangelho aberto”. Um Evangelho onde os fiéis vão beber as palavras de Deus “para tentar encontrar respostas para os seus problemas”. “Um santuário não é só um local onde se cumprem promessas, pois se a passagem por estes espaços religiosos não fica no nosso coração, então torna-se uma viagem inútil”.

 

Milhares de peregrinos

As peregrinações de fiéis são, de facto, um dos grandes motivos para visitar, por estes dias, o Santuário de São Bento da Porta Aberta, Terras de Bouro.

Há quem venha de perto, há quem venha de muito longe. Há até quem esteja a milhares de quilómetros de distância o ano inteiro, por terras estrangeiras, aspirando, apenas, por viver, intensa e profundamente, estes momentos de fé com São Bento, renovando o seu espírito no seio católico.

António Pereira, de 28 anos, chegou ao santuário de cajado na mão, na companhia de outros peregrinos (dois homens e quatro mulheres). São todos familiares. Vieram juntos desde Chorense, Terras de Bouro, mais uma vez, orando pelo caminho, rumo ao Santuário que guardam nos seus corações, todos os dias do ano, ganhando a vida no Luxemburgo. “Normalmente, vimos cá sempre no Natal e nesta altura do Verão, sempre que regressamos a Portugal”, indicou António. “Vimos pela fé e pela devoção, pedindo ajuda para continuarmos o nosso percurso de vida da melhor forma”. Ao seu lado, o jovem Jorge Antunes, de 13 anos, sorria. É primo de António. Veio pela primeira vez. Andou mais de três horas com a família para orar a São Bento.

Marta Caldeira

in Correio do Minho

15.08.2008

 

 

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