
Portalegre celebra São Cristóvão
Já não há memória de quando terão começado as celebrações em honra de S. Cristóvão, no emblemático bairro do Atalaião. A verdade é que, ano após ano, a festa aumenta a sua história, a sua notoriedade e a sua qualidade. É bonito ver tanta gente nas ruas.
As comemorações tiveram início na noite de sábado, mais uma vez com o habitual repicar dos sinos e a abertura da bonita Igreja do bairro. Seguiu-se a vigília de oração em honra de S. Cristóvão e, mais tarde, a abertura da quermesse, com a venda dos saborosos bolinhos regionais e de café. A noite foi de festa e de reflexão, constituindo um ambiente de grande convívio e fraternidade.
No Domingo, as comemorações arrancaram bem cedo, com novo repicar dos sinos e a abertura de igreja que, ao longo de todo o dia, recebeu centenas de fiéis, bem como as tradicionais manifestações de fé e piedade. A meio da tarde, a população encheu-a por completo, na celebração festiva da Santa Missa. Pouco tempo depois, bem mais de uma centena de fiéis partiram na habitual procissão, que, acompanhada pelas imagens de S. Cristóvão e da Nossa Senhora das Graças, bem como pela Banda Euterpe de Portalegre, encheram de luz e fé as ruas do bairro do Atalaião. A verdade é que, numa tarde onde o tempo sorriu às comemorações, a procissão conquistou a presença de muitas pessoas que, alegremente, prestaram homenagem ao Santo protector dos viajantes.
Seguiu-se um dos momentos mais marcantes e mais participados desta histórica festa portalegrense: a bênção das viaturas. Superando, mais uma vez, todas as expectativas, dezenas e dezenas de carros e motas começaram a alinhar-se ao longo das ruas do bairro. A fila era longa, mas o tempo de espera aceitável para quem queria benzer a sua viatura. "Boa viagem, hoje e sempre" repetiu o Cónego Lúcio por mais de uma centena de vezes. Foram 105 os carros e motas, de todas as marcas, cores e idades que foram benzidos. No final, a população aplaudiu a chegada do "carrinho de vassoura" e o sucesso de um dos momentos mais bonitos desta celebração. Depois da entrega do cabaz das festas, as pessoas rumaram, novamente, em direcção à Igreja, dando por encerradas as festas em Honra de S. Cristóvão.
Sem esconder o seu agrado com a realização em pleno de mais uma edição das festas de S. Cristóvão, Lucília Miguéns, da comissão organizadora, disse ao nosso jornal que, apesar de alguns "altos e baixos" que têm feito parte da história das comemorações, a festa continua com a mesma força a que as pessoas sempre se habituaram. Há mais de duas dezenas de anos na organização, Lucília garante que a festa está "num bom momento" e que a actual comissão – com perto de duas dezenas de pessoas – continua a demonstrar muita força de vontade, empenho e generosidade. Características que considera essenciais para o sucesso da festa.
Destacando que o momento mais alto da festa "é sempre a eucaristia", Lucília Miguéns admite que a procissão e a bênção das viaturas têm sempre uma excelente participação por parte da população. Em jeito de balanço, a representante da comissão garante que este ano "correu muito bem e as pessoas mostraram-se muito empenhadas e alegres em louvar S. Cristóvão". Já em relação ao futuro, Lucília frisou que o objectivo da organização é sempre "fazer melhor" e para isso, afiançou que conta com um grupo "com uma generosidade imensa" a quem nunca se esquece de agradecer.
A acompanhar pela terceira vez consecutiva estas comemorações, o Cónego Lúcio mostrou-se igualmente muito satisfeito com mais uma realização desta histórica festa do Atalaião. Aplaudindo a organização, o pároco destacou o interesse que, anualmente, a festa suscita não só nos habitantes do bairro, mas também nas pessoas de toda a cidade.
"A missa foi muito participada, a procissão igualmente e a bênção dos automóveis continua a ser muito significativa. O principal é que as pessoas tenham juízo quando conduzem, mas sabemos que estamos entregues a um poder mais alto e que se estivermos atentos Deus também não nos falta", referiu, garantindo que teve a preocupação de abençoar sobretudo os condutores para que durante o ano tenham também sorte, porque, na sua opinião, "o êxito na estrada não depende só de quem conduz, mas também dos outros condutores, do chão, da máquina e de um conjunto de valores".
Agradecendo a aragem simpática que se fez sentir ao longo do dia, o Cónego mostrou-se bastante satisfeito com a participação. "É sempre bom quando as pessoas se reúnem. Passamos um ano inteiro a correr e é bom que tenhamos uns tempos de calma, de solidariedade e fraternidade", concluiu.
André Relvas
in Fonte Nova
31.07.2008
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