
Tecto da Sé de Silves em risco de ruína
A falta de verbas para recuperar a Sé de Silves, cujo tecto ameaça ruir, pondo em risco a segurança de turistas e devotos, está a impedir a realização de cerimónias e a gerar revolta na comunidade.
A catedral, de estilo gótico, uma das mais antigas no Algarve e a única a ser construída de raiz com esse fim, começou a dar sinais de degradação acentuada há dois anos, quando uma trave de madeira caiu em plena missa.
Desde então que o padre Carlos Aquino se tem desdobrado em contactos para se avançar com obras na igreja, mas, apesar do Ministério da Cultura lhe ter chegado a assegurar que já havia verba, nada foi feito.
Quem entra na Sé de Silves, que já foi sede do Episcopado do Algarve, depara-se com faixas de protecção na área coberta pelo tecto de madeira - mais de metade da catedral -, ali colocadas para evitar acidentes.
O único local "livre de perigo" é o presbitério, um corredor lateral cuja cobertura é de pedra e não de madeira, pois, segundo Carlos Aquino, o principal problema é o mau estado do tecto de madeira, que apodreceu e ameaça ruir, caso não haja uma intervenção urgente.
A igreja só não está praticamente inutilizada porque o pároco decidiu abrir a área de acesso condicionado aos fins-de-semana para celebrar missas, por "necessidades pastorais", diz e "assumindo a responsabilidade".
"Estamos num verdadeiro impasse", desabafou o pároco à agência Lusa, afirmando-se "cansado" e dizendo temer que a recente substituição da ministra da tutela "ainda atrase mais o processo".
O Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) de Faro chegou a elaborar em 2006 um relatório que apontava para a necessidade de uma intervenção urgente na catedral e estimava em 370 mil euros os custos das obras, segundo fonte da Câmara local.
Contudo, até agora, não há qualquer tipo de intervenção quer em curso, quer prevista, apesar dos esforços da autarquia, do padre e da própria comunidade, que já se uniu para angariar dinheiro para a recuperação.
"Já temos patrocínios e a igreja também quer contribuir, o Estado é que ainda não se sentou connosco para conversar", lamenta Carlos Aquino, que diz ter que usar o quartel dos bombeiros para grandes celebrações.
Casamentos praticamente não se têm realizado, só quando os noivos "insistem muito", os baptismos ainda se vão celebrando, mas numa área improvisada, o que está a revoltar a comunidade, sublinha o pároco.
"Se isto fosse o Mosteiro da Batalha já estavam as obras feitas, mas como é no Sul do país ninguém liga", lamenta, observando que, a par da Fortaleza de Sagres, este é um dos mais visitados monumentos do Algarve.
Segundo a autarquia, a catedral e o castelo são os "responsáveis" pelo meio milhão turistas que a cidade recebe por ano e únicos trunfos turísticos de uma cidade que não goza de uma localização muito próxima do mar.
"Isto dá uma péssima imagem de Silves e constitui um risco para as pessoas que vão à igreja", lamenta Luís Santos, da Câmara de Silves, frisando que só o Ministério da Cultura pode desbloquear as verbas necessárias para recuperar a Sé.
"Não é por ser um monumento religioso ou por ser padre que gostava de ver isto resolvido, é mesmo porque se trata de património cultural", conclui Carlos Aquino, ansioso por receber uma resposta positiva.
Lusa
18.02.2008
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