
Tradições mostram folclore, etnografia e gastronomia
As "Tradições" vieram para ficar e, de ano para ano, têm despertado cada vez mais o interesse de muitos forasteiros. Durante nove dias, Campo Maior mostra aquilo que tem de melhor, ao nível do folclore, etnografia e gastronomia. Começam já a afirmar-se como um evento anual as Tradições de Campo Maior. Os filhos da terra saem às ruas com os trajes típicos, cantarolando as canções que outrora eram presença assídua na lavoura.
Mas para além dos desfiles etnográficos, também a animação cultural e a exposição "Costumes de um Povo" fazem parte do vasto programa das “Tradições” que, este ano, vai animar a Vila durante nove dias.
Contando já com três edições, o certame arrancou no dia 30 de Agosto com um desfile etnográfico dedicado aos vestidos de chita, ao qual acorreram centenas de visitantes, oriundos de vários pontos do distrito, mas também da vizinha Espanha. O dia de Domingo ficou marcado por mais um cortejo, no qual foi apresentado um vasto leque de aventais.
Satisfeito com a adesão que o certame tem vindo a conquistar, João Burrica, presidente da Câmara Municipal de Campo Maior, sublinha que os campomaiorenses já abraçaram esta iniciativa com todo o carinho. "O nosso povo é alegre, dinâmico e de iniciativa, e naturalmente que quando a Câmara lhes proporciona situações destas eles avançam sempre com a mesma satisfação, ano após ano, e é essa a nossa constatação", revela.

O edil considera ainda que esta é uma festa na qual os campomaiorenses "gostam de participar, à qual assistem com alegria e que transportam no coração", dado que "as suas raízes e a vivência das suas gentes estão nelas representadas". Neste sentido, realça que o facto de as pessoas participarem no certame faz com que a autarquia "trabalhe na perspectiva dos trajes na nossa terra como uma manifestação muito importante de mostrar aquilo que é o Alentejo profundo, as suas gentes e as suas origens". No fundo, as “Tradições” representam "uma homenagem aos nossos alentejanos e a tudo aquilo que tem a ver connosco". Para Ana Golaio, vereadora da Cultura, este evento serve para "mostrar vários aspectos de tradições de Campo Maior", além de que "é bastante participado e muito colorido".

João Burrica faz questão de sublinhar que as “Tradições” "não são uma cultura que tenha a ver com as nossas Festas do Povo", uma vez que este certame de nove dias "tem um cariz mais municipal". Em comum, os eventos "têm apenas a alegria e a forma hospedeira como nós campomaiorenses nos comportamos", justifica o autarca.

Felicitando os campomaiorenses, João Burrica deixa um agradecimento especial à "grande" equipa de trabalhadores da Câmara Municipal, dado que "todos trabalharam e continuam a trabalhar arduamente" para a realização desta iniciativa. Nesse sentido, "estou muito satisfeito com o trabalho de todos e, acima de tudo, com o resultado final destas ‘Tradições’", manifesta o edil, deixando a promessa de que, no próximo ano Campo Maior voltará a ser palco deste grande certame que atrai à Vila centenas de visitantes nesta altura do ano.

No próximo fim-de-semana, as “Tradições” voltam a sair à rua. Depois de terem sido apresentadas as profissões de outrora, o dia de ontem ficou marcado pela mostra de cestos de flores de papel.
Varandas enfeitadas
Ao desfilar pelas ruas de Campo Maior ninguém fica indiferente à beleza de grande parte das janelas e varandas que, nos próximos dias, ostentarão as famosas flores de papel.

Trata-se da mostra "Varandas a São João", uma iniciativa integrada no Programa “Tradições”, cujo objectivo consiste em preservar a arte de manusear o papel, transformando-o em lindas flores.

Recordando que as "Varandas a São João" são um evento que já se realizou no século passado, João Burrica assegura que, com o passar dos anos, "vamos constatando que este certame vai acontecendo com mais quantidade e as pessoas vão participando mais".

Contando este ano com cerca de 250 inscrições, o edil lamenta que no centro histórico da Vila a adesão seja menor. No entanto, explica que tal situação se deve ao facto de, nesta zona, habitarem muitas pessoas idosas e de muitas das casas já se encontrarem vazias.

De qualquer maneira, João Burrica sublinha que "o que importa é que a festa está a ser bonita e as pessoas estão a aderir. Por isso, estamos todos de parabéns, porque é por isso que trabalhamos e é isso que nos motiva a continuar".
Catarina Lopes
03.09.2008
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